Black Friday 2020: faturamento de lojas físicas no Ceará cai 27%

Busca pelo e-commerce, impulsionada pela pandemia, fez desempenho de lojas físicas cair na edição da Black Friday neste ano, aponta relatório da Cielo. A exceção é do mercado pet, construção e supermercados, que ampliaram

A Black Friday parece ter servido como mais um impulso às vendas digitais no Ceará. Segundo dados da Cielo referente ao faturamento das lojas físicas no Estado na última sexta-feira (27), houve uma considerável queda, de 27%, ante a Black Friday em 2019. O encolhimento é menor (-19,5%) quando a comparação é feita somando os resultados da véspera ao do dia das promoções. Segundo o presidente do Sindicato Varejista e Lojista de Fortaleza (Sindilojas) e do gerente de Inteligência da Cielo, os resultados refletem a pandemia e da busca pelos canais de e-commerce para se fazer compras neste ano. 

De acordo com Cid Alves, presidente do Sindilojas, o comércio cearense ainda deverá fechar novembro com uma evolução de faturamento, apesar dos resultados da Black Friday terem sido abaixo do esperado. Segundo ele, as vendas na última sexta foram prejudicadas pela falta de mercadorias nas lojas. Como muitas fábricas ainda estão se reestruturando após a paralisação de atividades por conta da quarentena, muitas lojas acabaram ficando sem alguns produtos durante a Black Friday. 

Apesar de registrar queda de vendas em novembro de 2020 ante igual mês de 2019, Alves projeta que o comércio deverá ter alta no faturamento impulsionado pelo câmbio – que pressiona o preço de alguns itens no mercado – e pela alta de demanda em segmentos como alimentos e itens de limpeza, por exemplo. 

“De modo geral, houve crescimento de faturamento, mas aconteceu algo que já era esperado por conta do cenário gerado pelo fechamento das fábricas para produção de estoque: faltou mercadoria para vender na Black Friday”, disse Alves.

“Vamos ter um crescimento de faturamento neste mês por conta da alta da demanda e pela questão do câmbio, mas, agora, as pessoas se acostumaram a fazer compras pela internet, e estão consolidando esse hábito”, completou. 

A opinião é corroborada por Pedro Lippi, gerente de inteligência da Cielo, que apontou as restrições de movimentação de pessoas e as preocupações com a pandemia como as principais razões para a queda de faturamento das lojas físicas no Estado. “A gente vê que o Ceará, no acumulado do fim de semana da Black Friday, teve uma queda de 20,3% no faturamento e isso foi puxado por setores bem relevantes, como turismo e transporte, que está em queda desde o começo da pandemia. Quando a gente olha para os setores que tiveram dados positivos, a gente vê que são setores essenciais que são veterinária, alimentação e etc”, explicou Lippi.

Setores

O levantamento da Cielo apontou que no dia da Black Friday, o segmento de veterinárias e petshops foi o que apresentou o melhor resultado, com uma alta de 39,8% do faturamento ante a Black Friday em 2019. Materiais para construção (13,7%), e supermercados (9,2%) foram os setores com evolução neste ano. 

Mas os números não foram suficientes para evitar a queda de 27% do faturamento geral, que ainda registrou as quedas nos segmentos de drogarias e farmácias (9,9%); turismo e transporte (32%); cosméticos e higiene pessoal (32,7%); vestuário (33,1%); óticas e joalherias (34,1%); e móveis e eletrodomésticos (46,2%).

Soluções

Para tentar aproveitar o novo comportamento do consumidor, o Sindilojas, em parceria com a Fecomércio-CE, espera lançar uma plataforma de compras digitais própria nos próximos meses. O projeto já estaria pronto, mas deverá passar por novos testes de segurança. A plataforma deverá chamar “Tá fácil comprar”. 

Quero receber conteúdos exclusivos sobre negócios