Atuação do Estado Brasileiro impactou na crise, dizem economistas

Ampla intervenção é um dos fatores que contribui para cenário atual, aliado a um déficit educacional. Industrialização tardia e crise internacional de 2008 também estão ligadas ao mau desempenho observado nos últimos anos

Legenda: Professores abriram as atividades do Dia do Economista na Universidade de Fortaleza.
Foto: FOTO: KID JÚNIOR

O déficit educacional brasileiro e a manutenção de um Estado amplamente intervencionista são os principais problemas a longo prazo que levaram o Brasil ao estágio atual, conforme avaliação de economistas cearenses. Aliam-se a isso, em um curto prazo, o forte incentivo ao consumo com altos níveis de endividamento e a crise política que contamina o cenário econômico.

A origem dos problemas que assolam a economia brasileira foi objeto de debate no primeiro dia de atividades em alusão ao Dia do Economista na Universidade de Fortaleza (Unifor). Para o professor de Filosofia e de Economia da Instituição de ensino, Haroldo Aguiar, uma corrida em busca da redução do déficit educacional proporcionaria o desenvolvimento de tecnologias mais avançadas e um Brasil mais competitivo.

"A intervenção do Estado brasileiro foi muito importante até a década de 70, mas agora, ele precisa ser superado, com menor atuação e maior eficiência", reforça Haroldo Aguiar. Ele também avalia que a crise econômica internacional de 2008, ao prejudicar as exportações brasileiras, impacta até hoje a economia nacional. "Nós também tivemos uma mudança na matriz econômica no Governo Dilma, que se afastou do compromisso com inflação baixa e controle do gasto público", avalia.

O economista e professor da área na Unifor, Allisson Martins, também reforça que a intensa participação do Estado na economia está em um dos centros do problema no cenário atual. "Deve ocorrer a redução do Estado e ganho de eficiência. Temos, hoje, 134 estatais federais", diz, acrescentando a expectativa de melhora ancorada na atenuação da guerra fiscal a partir da reforma Tributária.

O também economista e professor do curso na Universidade de Fortaleza, Ricardo Eleutério, acredita que a origem do problema está na industrialização e universalização da educação tardias. "Temos uma série de desafios históricos, mas conquistamos a estabilidade monetária com o Plano Real que completou 25 anos", frisa.

Desafios

Diante do momento de estagnação que o País atravessa, o coordenador do curso de Economia da Unifor, professor Chico Alberto, vê como fundamental o debate sobre as políticas macroeconômicas de médio e longo prazos aplicadas no Brasil. "É fundamental que a sociedade possa compreender por que o País chegou a essa situação. A gente vive um momento de estagnação e desemprego", afirma.

Ontem (12), os professores Haroldo Aguiar, Allisson Martins e Ricardo Eleutério abriram as atividades do Dia do Economista na Unifor. Hoje (13), o vice-presidente de Investimentos e Controladoria do grupo M. Dias Branco, Geraldo Luciano, e o titular da Secretaria de Planejamento e Gestão do Estado, Mauro Filho, falam sobre as perspectivas para o futuro da economia. Também será entregue a comenda "Economista Destaque Unifor 2019".


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