Atraso de repasses no MCMV põe em risco 16 mil empregos no CE

Futuro das construtoras que realizam as obras pode ser comprometido se não houver sinalização por parte do Governo Federal de quando serão realizados os repasses, aponta presidente do Sinduscon-CE

Legenda: Ontem, foram entregues 1.248 unidades habitacionais do Residencial Cidade Jardim II, no bairro José Walter
Foto: Foto: Marcos Studart / GOVERNO DO CEARÁ

Com atrasos recorrentes nos repasses do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) para as construtoras desde janeiro, cerca de 16 mil empregos no Ceará podem estar ameaçados caso a situação não seja regularizada nas próximas semanas. Segundo o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado do Ceará (Sinduscon-CE), André Montenegro, apenas a Faixa I do programa gera aproximadamente quatro mil empregos diretos no Estado.

"As construtoras não suportam mais atrasos e se, realmente, nós não tivermos uma sinalização desses pagamentos, as obras vão sofrer atrasos, podendo até comprometer o futuro das empresas", diz Montenegro. Ele diz que o ritmo das obras já foi diminuído e que já começaram a fazer demissões. "Antes você recebia o pagamento em 48 horas ou 72 horas, mas, desde janeiro, não dá para fazer planejamento. Os fornecedores estão em atrasos e temos 16 mil empregos que podem ser perdidos por conta de atrasos. O prejuízo é incalculável".

Ontem (20), o ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Henrique Canuto, disse que o menor fluxo de recursos para o programa nos dois primeiros meses do ano se deu por conta de ajustes fiscais e maior austeridade do Governo Federal. Mas que, em março, foi antecipado um repasse de R$ 600 milhões para todo o Brasil.

"Para o Ceará, vai depender das demandas já aprovadas pelo banco e, a partir de abril, a situação já fica melhor", disse o ministro durante visita a Fortaleza para entrega de 1.248 unidades habitacionais do programa.

Montenegro, que se reuniu com o ministro antes da cerimônia de entrega, se disse confiante com a regularização dos repasses. "Segundo ele (Canuto), até a próxima semana ou fim do mês, os pagamentos estarão em dia. Vamos ficar atentos, porque se isso não ocorrer, algumas empresas podem quebrar", disse o presidente do Sinduscon-CE.

Cidade Jardim II

Ontem, o ministro, ao lado do governador Camilo Santana e do prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio, participaram da entrega de 1.248 unidades habitacionais do Residencial Cidade Jardim II, no bairro José Walter.

O empreendimento contou com um investimento total de R$ 89,8 milhões, sendo R$ 78,6 milhões do Governo Federal e R$ 11,2 milhões do Governo do Ceará. "Aqui, entregamos a terceira etapa. Restam pouco mais de 700 unidades para completar as quase seis mil unidades desse residencial", disse o governador.

O complexo Cidade Jardim II possui um total de 5.968 unidades habitacionais. Com esta terceira etapa de entregas, totalizam 5.232 apartamentos inaugurados. O empreendimento tem como agente financeiro o Banco do Brasil, com um investimento total de R$ 358.272.000,00, sendo R$ 313.488.000,00 da União e R$ 44.784.000,00 do Estado.

Habitação

O trabalho conjunto entre os poderes executivos tem como objetivo reduzir o déficit habitacional na Capital cearense, segundo o prefeito Roberto Cláudio. "Esta parceria buscando apoio e financiamento tem garantido que a gente execute a maior política habitacional de Fortaleza. Nesses oito anos, vamos entregar em Fortaleza em torno de 30 mil casas populares de muita qualidade para dar dignidade a essas famílias. É um dos direitos mais básicos", informou Roberto Cláudio.

Empresários acusam atrasos dos repasses de pagamentos das construtoras do programa MCMV desde janeiro. Governo alega demora por conta do ajuste fiscal e promete resolver situação até o fim do mês.