Atacado aposta em recuperação no 2º semestre

O início do ano trouxe resultados negativos, mas o setor atacadista acredita que encerrará 2015 com crescimento

Escrito por Redação,

Negócios
Legenda: Segmento decresceu 10% entre janeiro e maio de 2015 na comparação com igual período do ano passado. Essa queda é justificada pela crise e também pela Copa do Mundo que aqueceu as vendas e gerou bons índices em 2014

Mesmo adotando estratégias para driblar o arrefecimento da economia e movido pelo otimismo dos empresários, o setor atacadista distribuidor decresceu 10% entre janeiro e maio deste ano, no comparativo com igual período de 2014, segundo o presidente da Associação Brasileira dos Atacadistas Distribuidores (Abad), José do Egito Frota Lopes Filho. Apesar das perdas registradas no início do ano, a expectativa do presidente é que eles encerrem 2015 com um crescimento de até 1,5%.

"O nosso setor, junto com o de supermercados, é o último a entrar em crise e o primeiro a sair dela. A gente tem maturidade porque já passamos por vários planos econômicos, e o que aprendemos no primeiro semestre, vamos usar neste segundo", explica José do Egito.

Segundo ele, essa queda em relação ao ano passado, além da influência da crise, explica-se porque, em 2014, esse era o período da Copa do Mundo, quando as vendas estavam aquecidas, o que gerou bons índices de crescimento.

Para contornar o período, os empresários do setor têm adotado a estratégia de se aproximar cada vez mais dos clientes e dos fornecedores, identificando as necessidades de cada região.

"O que a gente pensa é estar mais junto e compartilhar as informações dos clientes com os fornecedores, ver as necessidades de cada mercado e adaptá-las a esse momento", reforça o presidente da Abad.

Desempenho

Em 2014, segundo o Ranking Abad/Nielsen, o setor atacadista distribuidor teve crescimento real de 0,9%, totalizando um faturamento de R$ 211,8 bilhões. O Nordeste teve um dos melhores desempenhos, com crescimento nominal de 11% em relação a 2013, com destaque para o Ceará, que registrou a maior alta da região: 14,1%.

"O PIB (Produto Interno Bruto) do Ceará é sempre maior do que o do Nordeste e o do Brasil, isso influencia na nossa atividade, além disso, os empresários atacadistas cearenses são exemplo de inovação, estão na vanguarda em tecnologia e sempre assessorando os clientes", justifica José do Egito.

Os bons resultados da região Nordeste, segundo o presidente, estão relacionados ao crescimento do varejo de vizinhança, que inclui os supermercados com 1 a 9 checkouts, e à profissionalização das empresas que atuam nessa região, melhorando a produtividade.

Convenção

Entre os dias 3 e 6 de agosto, a Abad realizará, em Fortaleza, a 35ª Convenção Anual do Atacadista Distribuidor, no Centro de Eventos do Ceará, que deve reunir estandes de aproximadamente 150 fornecedores de produtos, serviços e equipamentos. São esperadas cerca de 30 mil visitas, incluindo caravanas de empresários, durante o evento, cuja expectativa é gerar mais de R$ 20 bilhões em negócios.

Além do eixo comercial, a convenção visa discutir estratégias a serem adotadas durante o segundo semestre, considerando os possíveis cenários econômicos, segundo José do Egito.