Aéreas ampliam voos nacionais em Fortaleza durante lockdown

O número de voos realizados no Aeroporto de Fortaleza em maio vai ser 60% maior que em abril, saltando de 60 para 95 operações no mês, justamente quando Fortaleza atinge os maiores números de contaminação e mortes por Covid-19. Porém, segundo o secretário do Turismo (Setur), Arialdo Pinho o incremento não afeta o lockdown na Capital, uma vez que a grande parte das viagens são essenciais e a trabalho. "As pessoas que estão viajando não são turistas. Tem gente que está viajando a trabalho, e isso não afeta o isolamento social mais rigoroso no Estado", aponta.

Para especialistas, o crescimento é pontual e não reflete uma retomada do setor. A malha emergencial tem o objetivo de atender a todas as capitais brasileiras no período de pandemia. Além de Fortaleza, o Aeroporto de Juazeiro do Norte vai continuar apenas com as operações da Azul, com 16 voos em maio.

Em entrevista à GloboNews ontem (15), o governador Camilo Santana chegou a apontar os voos internacionais - que continuam suspensos - como responsáveis por trazer o novo coronavírus para o Ceará, uma vez que Fortaleza era a terceira porta de entrada de voos vindos da Europa para o Brasil antes da pandemia.

"Ainda em março, solicitei o fechamento dos voos internacionais e foi negado (pelo Governo Federal). Solicitei barreiras sanitárias no aeroporto e foi negado (pelo Governo Federal). Não tenho dúvida que o vírus veio de fora. Ou de pessoas que estavam fora e voltaram ou de turistas internacionais. Até porque se concentrou muito em Fortaleza a transmissão, que ainda tem a maior densidade demográfica do País", destacou Camilo.

De acordo com o titular da Setur, o incremento nos voos de maio não significa aumento de demanda. "O turismo só vai acontecer de 60 a 80 dias. A Azul já começou a voar, e acredito que em breve eles devem fazer também Campinas. Significa mais a posição estratégica da companhia neste momento", explica.

Na avaliação do pesquisador do Núcleo de Economia do Transporte Aéreo do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (Nectar-ITA), Alessandro Oliveira, ainda é cedo para afirmar que haja uma retomada do setor na Capital. "Eu acredito que seja um pouco prematuro ainda apontar tendências, porque, por mais que o tempo vá passando e a gente vá entendendo melhor quais as consequências (da pandemia) sobre o transporte aéreo, seria muito arriscado dizer que está havendo um aumento e que ele é sustentável".

Oliveira pondera que muitas mudanças acontecerão no setor e que as empresas devem observar o comportamento de consumidores. "Por outro lado, há a questão regulatória com relação ao distanciamento na aeronave, que ainda está para ser colocada em pontos mais claros. Acho um pouco prematuro, mas é claro que se há um aumento (de voos) é porque a companhia aérea enxergou uma possibilidade de demanda", acrescenta.

Essencial

Para o engenheiro aeronáutico Igor Pires, o aumento pontual de voos tem objetivo de manter uma mínima capilaridade. "Não vejo ainda como um sinal de retomada, porque Fortaleza está muito impactada pela pandemia. Houve aumento, mas não de destinos. Não é um sinal mais claro de retomada, e sim de manutenção de uma capilaridade mínima de malha", observa ele.

Segundo o professor do ITA, Cláudio Jorge, a malha essencial se restringe às capitais e alguns aeroportos relevantes. "A princípio, buscou-se garantir a acessibilidade aérea a todos os estados. Para se viabilizar a mobilidade das cargas. Pouco a pouco vai se intensificar e ampliar essa malha. É isso que se espera a curto e médio prazos", pontua.

Fatores

O aumento da malha em Fortaleza se deve principalmente ao retorno das operações da Azul na Capital com seis voos para Recife por semana. Além disso, a partir do dia 24 de maio haverá a inclusão de 11 voos semanais da Gol: serão três saídas semanais para Brasília e Recife e cinco por semana para o Rio de Janeiro. Atualmente a companhia tem apenas um voo diário para Guarulhos (São Paulo).

"As principais empresas aéreas Azul, Gol e Latam fizeram a previsão de atender 44 cidades brasileiras neste mês de maio, para que nenhum estado brasileiro fique sem ligação aérea. Além das capitais dos 26 estados e o Distrito Federal, outras 17 cidades do País estão sendo atendidas. As operações essenciais estão previstas até o final de maio e somam cerca de 1.254 voos semanais", informou a Anac.

De acordo com o órgão, a malha essencial é aproximadamente 90% menor do que a originalmente prevista pelas empresas para o período, mas garante que o País continue integrado e permitindo o deslocamento de materiais, profissionais de saúde e das pessoas que ainda precisam viajar.

"Com a redução drástica de voos nos últimos meses, em decorrência da pandemia do Coronavírus, havia o risco de uma paralisação total do serviço. A malha emergencial de abril foi 91,61% menor do que a prevista pelas empresas para o período", disse a Agência.

Em Juazeiro do Norte, no Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, apenas a Azul segue operando frequências para Recife, com uma média de 3,7 voos por semana.