UE prepara proposta aos EUA para zerar tarifas a bens industrializados

Malmström alertou sobre como essa aproximação seria muito prejudicada se Washington decidisse impor cobranças adicionais sobre automóveis europeus importados.

A comissária de Comércio da União Europeia, Cecilia Malmström, anunciou nesta sexta-feira que enviou para aprovação do Conselho Europeu uma proposta de acordo com os Estados Unidos para eliminar mutuamente as tarifas sobre importação de bens industrializados, incluindo produtos de pesca e automóveis. Se o Conselho conferir esse mandato à comissária, ela levará a proposta a Washington.

"Esperamos que o Conselho a aprove", disse a sueca em entrevista coletiva em Bruxelas. Ela fez questão, contudo, de esclarecer que a iniciativa não contempla a eliminação de tarifas sobre produtos agrícolas. "Nós não estamos, e quero ser muito clara nisso, não estamos prontos para reiniciar negociações de um acordo de livre-comércio mais amplo com os EUA."

Sobre a possibilidade de cortar as cobranças adicionais no setor automotivo, um dos mais sensíveis à União Europeia, Malmström reforçou que a Comissão está pronta para negociá-la se os EUA concordarem com a condição de "zerar" as tarifas sobre todos os bens industrializados. No ano passado, o governo de Donald Trump impôs obrigações extras à importação de aço do bloco.

Uma outra proposta que a comissária anunciou que levará ao Conselho Europeu é para um acordo com o governo americano em torno da avaliação de conformidade de produtos, "um processo em que empresas demonstram que seus produtos cumprem padrões legais para o mercado de exportação". Um entendimento desse tipo visaria "reduzir custos, simplificar o comércio e manter um alto nível de certificação" entre os EUA e a UE, para garantir a consumidores que os produtos importados de outro país são seguros. 

Ao mesmo tempo em que anunciou ter submetido as possíveis iniciativas à avaliação dos 28 Estados-membros da União Europeia Malmström alertou sobre como essa aproximação seria muito prejudicada se Washington decidisse impor cobranças adicionais sobre automóveis europeus importados. Essa ameaça já foi feita em repetidas ocasiões pelo presidente americano, Donald Trump, e um relatório do braço de comércio do seu governo sobre se as obrigações extras seriam justificáveis ou não é aguardado para fevereiro.

"Deixamos muito claro aos EUA que a União Europeia não seja alvo de novas tarifas", afirmou a sueca. Ela reconheceu, ainda, que Bruxelas "não teve sucesso" na tentativa de reverter a imposição por Washington de tarifas sobre a importação de aço do bloco.


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