Segunda onda da Covid-19 no Canadá atrapalha planos de cearenses

Ressurgimento dos contágios do novo coronavírus no Canadá provoca restrições em viagens entre o país da América do Norte e o Brasil, afetando a mobilidade de cidadãos nascidos no Ceará e seus projetos pessoais

Legenda: Graziella Antunes, auxiliar numa residência de idosos em Montreal, não consegue voltar para o Brasil c om seu marido e dois filhos devido às restrições adotadas pelo Canadá
Foto: Arquivo pessoal

A média diária de casos de Covid-19 no Canadá atingiu a maior desde junho. Com isso, o país luta para conter os novos contágios e se viu obrigado a adotar o "alerta laranja" - o segundo mais grave, depois do vermelho - em algumas regiões. Famílias de cearenses que têm ligação com a nação enfrentam dificuldades para retornar ao país ou vir ao Brasil.

Como é o caso da psicóloga Paula Pamplona, noiva de um cearense que tem dupla nacionalidade no Canadá, o professor Eduardo Moreira.

Os dois estão no Ceará, mas o noivo volta em novembro para o país de residência, sem saber quando Paula poderá visitá-lo. Por conta da homologação do divórcio de Eduardo no Canadá, os dois não podem se casar formalmente no Brasil, e apenas o professor pode retornar pelas restrições de viagem do país para turistas durante a pandemia, o que deve acontecer em novembro. Os noivos decidiram fazer uma cerimônia informal no Ceará.

"A gente fica com a dúvida se eu vou poder voltar com ele ou não. Saber que depois desses meses morando juntos ele vai voltar e eu não tenho previsão de quando poderei ir, isso causa uma aflição muito grande", conta a psicóloga.

O casal participa da campanha internacional "#LoveIsNotTourism" (Amor não é turismo), que busca viabilizar que membros de casais não-oficiais possam passar pelas fronteiras. A plataforma da campanha, criada em junho passado, possui dados e petições oficiais aos países de todo o mundo.

"Desde junho, eles permitiram que famílias imediatas pudessem entrar no Canadá. Só que a definição de família imediata só inclui quem é casado oficialmente ou quem é pai ou mãe de filhos canadenses ou filhos dependentes. No nosso caso, ainda não somos inclusos na definição. O grupo tenta fazer essa modificação", disse Eduardo.

Por causa da campanha, países como Alemanha, Áustria e Suíça já permitem que casais não-oficiais se encontrem.

No Canadá, o grupo de cônjuges reuniu assinaturas em uma petição oficial, organizou a entrega para membros do governo e agora, aguarda uma resposta. "A gente não quer que eles abram as fronteiras. Nós estamos pedindo que as famílias sejam reunidas. Estamos falando de pessoas que são apoio uns dos outros", conclui Paula.

Legenda: Psicóloga Paula Pamplona não poderá retornar com o noivo Eduardo Moreira para o Canadá em novembro
Foto: Arquivo pessoal

Segunda onda

Já Graziella Antunes, auxiliar numa residência de idosos em Montreal, no Canadá, também teve planos suspensos. A cearense viria ao Brasil, junto com seu marido e dois filhos, rever a família e resolver pendências, entretanto, a viagem foi cancelada.

"Apesar de ser uma coisa muito ruim para mim particularmente, sou a favor que as restrições sejam mantidas. Como trabalho na área da saúde, tive a tristeza de presenciar muito sofrimento", relata.

A cearense, que passou a quarentena no país de residência, também conta que os últimos dias têm sido de "alerta total" no país. "Aqui estamos infelizmente entrando na segunda onda, com o código laranja, então estamos em alerta total. Parece que a coisa vai recomeçar", revela. Uma média diária de 1.123 novos casos atingiu o Canadá durante a última semana, e as autoridades já consideram a presença da "segunda onda" no país.

Durante pronunciamento nacional na última quarta-feira (23) o primeiro-ministro da nação, Justin Trudeau, se referiu à situação do país frente à "segunda onda" como uma "encruzilhada".

Vacina

O Canadá já assinou acordos com as empresas americanas Novavax e Johnson & Johnson para garantir dezenas de milhões de doses de seus projetos de vacinas, caso sua eficácia seja comprovada.

Os acordos se somam a outros dois semelhantes que já havia firmado com as empresas americanas Pfizer e Moderna, que permitirão ao Canadá obter até 190 milhões de doses de vacinas experimentais.

Os 76 milhões de doses da Novavax podem ser entregues no segundo trimestre de 202. Cerca de 38 milhões de pessoas vivem no Canadá.

Apelo por união

O premiê britânico, Boris Johnson, pedirá hoje aos líderes mundiais que superem suas divisões e lutem juntos para prevenir futuras pandemias, durante discurso remoto na Assembleia Geral da ONU. "Após nove meses de luta contra a Covid, a própria noção de comunidade internacional parece despedaçada", dirá Johnson, segundo discurso divulgado ontem.

Trégua na África

A OMS destacou, ontem, o fato de a África ter conseguido evitar a "propagação exponencial" da Covid-19 no continente. "A transmissão da Covid-19 na África se caracteriza por um número relativamente menor de infecções, que tem diminuído nos últimos dois meses", diz a direção regional da OMS, para quem "a baixa densidade populacional e o clima quente e úmido provavelmente contribuem" para os bons resultados.

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