Ricardo Salles viaja pela Europa para "esclarecer" ação ambiental do governo

Salles ainda disse, em entrevista à AFP, que o Brasil permanecerá no acordo de Paris sobre o clima de 2015

Legenda: Salles iniciou seu giro por Paris, onde se encontrou com "investidores" e imprensa, antes de viajar para a Alemanha e depois para o Reino Unido
Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil / Arquivo

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, iniciou uma turnê pela Europa para "esclarecer" a ação de seu governo, criticado pelo desmatamento acelerado na Amazônia, e garantiu que o Brasil permaneceria no acordo climático de Paris.

Depois de participar na Assembleia Geral da ONU em Nova York, onde o presidente Jair Bolsonaro defendeu a soberania sobre a Amazônia e criticou indiretamente o francês Emmanuel Macron, Ricardo Salles iniciou seu giro por Paris, onde se encontrou com "investidores" (Total, EDF, Engie...) e os meios de comunicação, antes de viajar para a Alemanha e depois para o Reino Unido. Nenhuma entrevista oficial está programada.

"Queremos esclarecer as coisas, fornecer dados completos porque, nos últimos meses, muitas informações sobre os incêndios na Amazônia foram imprecisas", disse ele na quinta-feira (26) durante uma entrevista à AFP.

O desmatamento na Amazônia quase dobrou desde que Jair Bolsonaro chegou ao poder em janeiro de 2019, em comparação com o mesmo período do ano passado.

No entanto, para Ricardo Salles, é preciso examinar "todos os dados históricos" desde 2004 - 2005, quando "o desmatamento atingiu o triplo de hoje, antes de declinar e depois subir, ano após ano, a partir de 2012".

"Precisamos focar nas origens desse aumento", que ele disse estar essencialmente ligado ao "desmatamento ilegal, que devemos combater". E a proteção da Amazônia passa, acima de tudo, ao seu ver, por uma "estratégia econômica" voltada para um "desenvolvimento sustentável" que envolva a população amazônica.

Salles afirmou que o Brasil permanecerá no acordo de Paris sobre o clima de 2015. "O Brasil vai cumprir seus compromissos no que diz respeito às contribuições determinadas ao nível nacional. Estamos avançando em energias renováveis, emissões de eletricidade, reflorestamento (...), diferentemente de outros países que criticaram o Brasil", afirmou. 

Questionado sobre as acusações de "colonialismo" apresentadas perante a ONU por Jair Bolsonaro, implicitamente contra a França, Salles lembrou, em tom calmo, as "relações históricas e fortes" entre a França e o Brasil, especialmente "em termos de investimentos".

Na quinta-feira, ativistas do Greenpeace se manifestaram em frente à residência do embaixador brasileiro para denunciar, segundo explicou a ONG em comunicado, "o tour de promoção do governo brasileiro", bem como "a cumplicidade do governo e empresas como a Total, que sempre tiveram vontade de desenvolver projetos destrutivos no Brasil"."Em uma democracia, temos que estar abertos a opiniões diferentes", respondeu Salles simplesmente. 

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