Por 28ª vez ONU condena embargo dos EUA contra Cuba

O Brasil muda posição histórica e vota, junto a Israel e Estados Unidos, contra a resolução

Legenda: Embargo americano debatido na UNO proíbe envio de alimentos ao país caribenho e torna passível de punição judicial empresas que tenham relações financeiras com a ilha
Foto: AFP

A Assembleia-Geral da ONU condenou pelo 28º ano consecutivo o embargo dos Estados Unidos imposto a Cuba há quase 60 anos por 187 votos contra três, dos Estados Unidos, Israel e do Brasil, pela primeira vez. O voto do Brasil altera posição diplomática adotada desde 1992, quando se votou pela primeira vez pela condenação ao embargo.

Houve apenas duas abstenções: a Ucrânia e, pela primeira vez, a Colômbia, outro grande aliado de Washington.

Legenda: Painel da ONU em Nova York mostra Brasil votando contra resolução que condena embargo a Cuba
Foto: Reprodução/Youtube/ONU

Debate antigo

Dezenas de países já condenaram ontem (6) o embargo americano imposto a Cuba, chamando-o de "anacrônico" e "indefensável" no primeiro de dois dias de debate e num contexto de novas sanções contra a ilha comunista. 

Por 27 anos consecutivos, Cuba recebeu apoio esmagador à sua resolução condenando o embargo dos EUA na Assembleia Geral das Nações Unidas, que normalmente tem a oposição apenas dos Estados Unidos e de Israel. 

Com quase 50 palestrantes registrados no debate ocorrido ontem (6), a votação ficou para hoje (7). 

O embargo americano, imposto há 57 anos e endurecido várias vezes, não conseguiu derrubar o governo do Partido Comunista cubano. 

Mas novas sanções adotadas pelo governo de Donald Trump, buscam uma mudança de regime em Cuba e na Venezuela e consideram Havana responsável pela sobrevivência do governo de Nicolás Maduro, causando aumento da pobreza na ilha, que atravessa uma forte escassez de combustível.

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, que está em Nova York para a votação, alertou no Twitter que os Estados Unidos estão "desenvolvendo ações de pressão intensa, particularmente contra seis países da América Latina, para forçá-los a mudar seu voto" tradicionalmente a favor de Cuba na ONU.

 

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