Pesquisador flagra degelo do Ártico e imagem viraliza

Legenda: Cães andando pelo gelo derretido ilustram o degelo do Ártico
Foto: Foto: Steffen Olsen

O derretimento do Ártico, devido à crise climática, ganhou, nesta terça-feira, sua imagem mais atual e contundente. Cães de trenó atravessam uma camada de gelo derretido no noroeste da Groelândia, dando a impressão de que os animais correm sobre a água. A imagem foi feita no último dia 13 pelo pesquisador Steffen Olsen, do Centro para o Oceano e Gelo do Instituto de Meteorologia da Dinamarca. 

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"Sabemos que o gelo tem cerca de 1,2 metro de espessura e que temos cerca de 870 metros de água abaixo de nós", escreveu ele no Twitter. 

Rasmus Tonboe, colega de Olsen, explicou, também na rede social, por que a água derretida não foi drenada, o que ocorre usualmente: "O derretimento rápido e o gelo marinho com baixa permeabilidade e poucas rachaduras levam a água derretida a ficar sobre a superfície".

Segundo o Centro Nacional de Dados sobre Neve e Gelo dos Estados Unidos, a Groenlândia passa por uma primavera de derretimento muito fora do usual. Na quinta-feira passada, teria ocorrido a perda de 2 bilhões de toneladas de gelo.

A redução do manto de gelo reflete a alta de temperatura do Planeta. A ONU indicou em fevereiro que o período 2015-2018 foi o mais quente desde o início dos registros meteorológicos. A subida do nível do mar continuou "a um ritmo acelerado", atingindo um recorde, de acordo com relatório da Organização Meteorológica Mundial (OMM). 

Esta aceleração do aumento do nível médio do mar é especialmente causada pelo "aumento da taxa de perda de massa glaciar dos inlandsis" (geleiras permanentes e calotas polares).

A extensão do gelo do Ártico foi menor do que o normal ao longo de 2018, mostrando recordes de queda em janeiro e fevereiro. E até o final de 2018, a extensão do gelo marinho, em média diária, estava próxima do menor nível já observado.

"Os dados divulgados são muito preocupantes. Os últimos quatro anos foram os mais quentes já registrados, e a temperatura média na superfície do globo em 2018 foi superior em 1°C os valores pré-industriais", ressaltou o secretário-geral da ONU, António Guterres.

"Não há tempo para hesitação", acrescentou.

De acordo com o relatório, em 2018, a maioria dos perigos naturais, dos quais cerca de 62 milhões de pessoas foram vítimas, estiveram relacionados a condições climáticas  extremas. Como no passado, as inundações afetaram mais pessoas, atingindo a cifra de 35 milhões.
 


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