ONU identifica 112 empresas com atividades em territórios ocupados ilegalmente por Israel

Entre os nomes citados estão empresas internacionais líderes como Airbnb, Alstom, Booking.com e Motorola Solutions. Destas, 94 estão sediadas em Israel, e outras 18, espalhadas por seis países diferentes

A ONU divulgou nesta quarta-feira (12) uma lista de 112 empresas com atividades nos assentamentos israelenses, considerados ilegais pelas leis internacionais, incluindo Airbnb, Expedia e TripAdvisor.

"Estou ciente de que esse assunto foi e continuará sendo uma questão de controvérsia", disse a alta comissária das Nações Unidas para os direitos Humanos, Michelle Bachelet, ao enfatizar que este relatório se "baseia em fatos". O documento "reflete a séria atenção que foi dada" a este "trabalho sem precedentes e particularmente complexo", acrescentou ela, em um comunicado.

O relatório responde a uma resolução de 2016 do Conselho de Direitos Humanos da ONU, solicitando um "banco de dados de todas as empresas envolvidas em atividades específicas relacionadas aos assentamentos israelenses nos Territórios Palestinos ocupados".

Esta lista "não constitui e não pretende constituir um processo judicial, ou quase judicial", especifica o comunicado de imprensa, em uma referência implícita aos temores israelenses de vê-la servir de base para boicotes.

Entre os nomes citados estão empresas internacionais líderes como Airbnb, Alstom, Booking.com e Motorola Solutions. Destas, 94 estão sediadas em Israel, e outras 18, espalhadas por seis países diferentes.

O relatório, que deveria ser publicado há três anos, foi várias vezes adiado. O serviço de comunicação de Bachelet disse que foram analisadas mais de 300 empresas. 

A lista finalmente identifica 112, para as quais "existem motivos razoáveis para concluir que estiveram envolvidas em uma, ou mais, atividades específicas mencionadas" na resolução de 2016.

Para a diplomacia palestina, a publicação da lista constitui uma "vitória" para o direito internacional e para os palestinos. "Publicar esta lista de empresas e entidades que operam nas colônias é uma vitória para o direito internacional e para nossos esforços diplomáticos, a fim de secar os poços do sistema colocinal encarnado pelos assentamentos ilegas nos Territórios Palestinos ocupados", reagiu o chefe da diplomacia palestina, Riyad al-Maliki.

Em contrapartida, o governo israelense considerou uma "rendição vergonhosa" aos países e às organizações hostis a Israel. O Ministério das Relações Exteriores ainda acrescentou que "a maioria dos países se recusou a participar desta campanha de pressão política".


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