Novo primeiro-ministro do Líbano promete reformas e acordo com FMI

Mustapha Adib foi nomeado pela maioria dos parlamentares, sob pressão do presidente francês Emmanuel Macron

fotografia do novo primeiro-ministro
Legenda: Mustapha Adib, novo primeiro-ministro do Líbano, caminha pelas ruas de Beirute
Foto: AFP

As autoridades políticas libanesas designaram, nesta segunda-feira (31), um novo primeiro-ministro, o embaixador na Alemanha Mustapha Adib, sob pressão do presidente francês Emmanuel Macron, que é esperado esta noite em Beirute

Adib, um acadêmico de 48 anos relativamente desconhecido, foi nomeado pela maioria dos parlamentares após consultas realizadas no palácio presidencial. 

Imediatamente após sua nomeação, o novo primeiro-ministro se dirigiu para um dos bairros devastados pela explosão no porto de Beirute em 4 de agosto, onde declarou que deseja "a confiança" da população.

"Agora é hora de agir", afirmou o novo primeiro-ministro, prometendo formar rapidamente uma equipe de especialistas e pessoas competentes para "conduzir reformas imediatamente".

"A tarefa que aceitei baseia-se no fato de que todas as forças políticas (...) estão cientes da necessidade de formar um governo em tempo recorde e de começar a implementar reformas, a partir de um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI)", expressou Adib em um discurso televisionado. 

Em um comunicado, o FMI comemorou com moderação sua nomeação, e reiterou seu desejo de que as autoridades libanesas respondam à pandemia no país. 

Por sua vez, o Banco Mundial (BM) destacou que a explosão causou prejuízos e destruição estimados em US$ 6,7 bilhões e US$ 8,1 bilhões. O país precisava urgentemente de US$ 605 milhões a US$ 760 milhões para sair da situação, acrescentou a instituição.


"Fonte de todos os males"
Mustapha Adib, um professor universitário relativamente desconhecido pela opinião pública, foi escolhido no domingo à noite pelos pesos-pesados da comunidade sunita, da qual o chefe de governo deve vir. 

A presidência está reservada para um cristão maronita e a presidência do parlamento para um muçulmano xiita.

O presidente do país, Michel Aoun, reconheceu na véspera em um discurso em ocasião do centenário do Líbano, comemorado na terça-feira, que é necessário mudar o sistema político, e pediu um "Estado laico".

No mesmo dia, o poderoso chefe do Hezbollah, Hassan Nasrallah, disse estar disposto a negociar um novo "pacto político" no Líbano, onde comunidades religiosas compartilham o poder. 

Da mesma forma, Nabih Berri, presidente do Parlamento e chefe do movimento libanês xiita Amal, pediu nesta segunda-feira para "mudar o sistema sectário" que governa a política no Líbano, "a fonte de todos os males" segundo ele. 

Mas o professor universitário, próximo do ex-primeiro-ministro e bilionário Najib Mikati, de quem era chefe de gabinete, deve ser rejeitado pelo movimento de contestação popular.  


"O luxo do tempo" 
Hassan Sinno, integrante de um grupo da sociedade civil, advertiu que seu movimento rejeitaria qualquer candidato do sistema.

"Não daremos tempo, como alguns de nós erroneamente deram a Hassan Diab, para ter sucesso. Não temos mais o luxo do tempo", disse. 

O ex-primeiro-ministro Hassan Diab, indicado pelos partidos governantes, renunciou em 10 de agosto após a explosão que deixou pelo menos 188 mortos e devastou bairros inteiros da capital. 

A tragédia, decorrente da presença de uma enorme quantidade de nitrato de amônio no porto de Beirute, fato de conhecimento das autoridades, alimentou a ira da população, que acusa a classe política de negligência e corrupção.

Adib obteve a aprovação das principais bancadas parlamentares. Apenas o partido cristão das Forças Libanesas, que se posicionou na oposição desde o levante popular em outubro de 2019, apoiou o independente Nawaf Salam, um ex-embaixador na ONU.

Macron, que visita o país pela segunda vez desde a explosão, solicitou os dirigentes libaneses a nomearem rapidamente um "governo de missão" para tirar o país da crise econômica e política.

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