Novo governo italiano pró-europeu toma posse

O primeiro-ministro Giuseppe Conte apresentou ontem (4) novo governo da Itália, uma coalizão do Movimento Cinco Estrelas (M5S) e o Partido Democrata (PD), de centro-esquerda

Legenda: O ex-ministro do Interior, Matteo Salvini, líder da Liga, partido de direita, famoso pelas medidas anti-imigração, agora está fora do governo
Foto: AFP

O presidente da Itália, Sergio Mattarella, deu posse hoje (5) ao novo governo pró-europeu da terceira maior economia da Europa, um Executivo que deixa a extrema direita.

O primeiro-ministro Giuseppe Conte e seus ministros do partido antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e do Partido Democrata (PD) levantaram a mão direita para prestar juramento no palácio presidencial, em Roma.

"Estamos preparados para dar tudo pelo país", declarou o líder do M5S, Luigi Di Maio, que será ministro das Relações Exteriores.

A nova coalizão ainda precisa da aprovação do Parlamento em uma votação prevista para acontecer nesta segunda-feira na Câmara baixa, e na terça, na Câmara alta.

"Boa sorte ao novo governo e a seus ministros! Vamos mudar a Itália!", disse a líder do PD, Nicola Zingaretti.

A primeira e principal tarefa do novo governo será o orçamento para 2020, que tem de ser submetido ao Parlamento antes do fim de setembro e, depois, à União Europeia, em 15 de outubro.

A escolha de Roberto Gualtieri, do PD, para ministro das Finanças, que conhece Bruxelas, é "extremamente positiva, em especial para as relações com a UE", aponta Lorenzo Codogno, ex-economista-chefe do Departamento italiano do Tesouro.

Formada pelo M5S e pela Liga (o partido de extrema direita anti-imigração de Matteo Salvini), a coalizão até agora no poder teve um duro embate com a União Europeia por seu orçamento - demasiado expansivo aos olhos de Bruxelas.

Nesta quinta, os mercados reagiram com altas à nomeação do novo governo. O índice FTSE Mib da Bolsa de Milão ganhava 0,5%, após a cerimônia.

O novo Executivo é o mais jovem da história da Itália desde o Pós-Guerra, com uma idade média de 47 anos, e tem mais ministros do sul do país - mais pobre do que o norte.

Dos 21 ministros do governo, nove são do PD; dez, do M5S; um, do partido nanico de esquerda Livres e Iguais; e um integrante sem filiação partidária, a nova ministra do Interior, Luciana Lamorgese.

Ex-secretária de Segurança em Milão, Luciana substituirá Salvini, o homem forte do governo anterior que, ao retirar o apoio de seu partido, provocou a queda do Executivo.

Conhecido por sua atividade constante nas redes sociais, Salvini esperava provocar eleições e aproveitar, com isso, sua popularidade. O resultado foi o contrário do que ele esperava.

Nesta quinta, ele antecipou, porém, que o novo governo "não vai durar muito".

"Faremos oposição no Parlamento, nas prefeituras, nas praças e, no fim, votaremos e ganharemos", antecipou.

Segundo a imprensa italiana, Salvini se recusou a estar presente durante a transferência de poder para Lamorgese.

A nova ministra do Interior "é a anti-Salvini, em termos midiáticos", diz o jornal "La Repubblica".

"Não tem redes sociais. Nunca a verão fazendo uma Live no Facebook do alto do Ministério do Interior", acrescentou o jornal.

A principal tarefa de Luciana Lamorgese será abordar a delicada questão da imigração, que divide a Itália e proporcionou muitos votos para Salvini.

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