Massacres nos EUA: responsabilizado por democratas, Trump diz que 'não há lugar para ódio no país'

Discurso anti-imigração do presidente americano é apontado por rivais políticos como incentivador dos atos de violência extrema

Foto: Foto: AFP

Pré-candidatos democratas à presidência dos Estados Unidos responsabilizaram o presidente republicano Donald Trump pelos dois massacres ocorridos em menos de 24 horas no País.
No sábado (3), um atirador matou ao menos 20 pessoas e deixou 24 feridos em um hipermercado da rede Walmart em El Paso, no Texas. Na madrugada deste domingo (4), um outro ataque a tiros deixou ao menos nove mortos na cidade de Dayton, em Ohio.


Beto O'Rourke, nascido em El Paso e até janeiro membro da Câmara dos Representantes dos EUA, culpou o presidente Trump por incentivar o medo dos americanos em relação aos imigrantes e incitar a violência.
"Ele é racista e alimenta o racismo neste país. E isso não só ofende a nossa sensibilidade, isso muda fundamentalmente as características deste país e o leva à violência", disse O'Rourke em entrevista ao canal CNN. 
"Tivemos um aumento nos crimes de ódio em cada um dos últimos três anos durante o governo de um presidente que chamou os mexicanos de estupradores e criminosos", afirmou.


Pete Buttigieg, prefeito de South Bend, no estado de Indiana, afirmou que os políticos e a Casa Branca estavam hesitantes em condenar o terrorismo da supremacia branca porque estavam constrangidos.
"Você não precisa de muita imaginação para juntar os pontos aqui. É muito claro que esse tipo de ódio está sendo legitimado do topo", disse.
O senador por New Jersey Cory Booker responsabilizou Trump por semear o ódio. "Suas palavras foram alimentando a supremacia branca e dando licença a ela, e nós estamos vendo os resultados horríveis desse ódio hoje."
"Temos um presidente que fez a sua carreira política demonizando os mexicanos, e agora estamos vendo relatos de que o atirador, ontem, tinha o objetivo de matar o maior número possível de mexicanos", disse ele. 


Em entrevista coletiva neste domingo (4), Trump afirmou que "não há lugar para o ódio neste país". Em defesa de Trump, Mick Mulvaney, chefe de gabinete em exercício na Casa Branca, afirmou que nenhum político, incluindo o presidente, é responsável pelos massacres. "A pessoa que foi responsável aqui foi a que puxou o gatilho. Precisamos descobrir como criar menos esse tipo de pessoa como sociedade, e não tentar culpar quem está indo para a próxima eleição."


No sábado (3), outros pré-candidatos também lamentaram o massacre e pediram ações para controle de armas. 
"Quantas vidas deverão ser encurtadas? Quantas comunidades devem ser dilaceradas? Já passou da hora de nós tomarmos ações para terminar com a nossa epidemia de violência armada", disse Joe Biden, ex-vice de Obama e líder nas pesquisas. 
"Muitas e muitas comunidades já sofreram tragédias como essa. Nós devemos agir agora para encerrar a epidemia de violência armada de nosso país", defendeu a senadora Elizabeth Warren. 
"Tristemente, depois de cada uma destas tragédias, o Senado nada faz. Isso tem que mudar", postou o senador Bernie Sanders.

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