"Lockdown" só funciona se acompanhado de ações mais drásticas

Experiência de países na Europa e Ásia mostra que modelo de isolamento total tem de incluir medidas mais rigorosas, como suspensão do transporte público

A adoção rápida do "lockdown" (isolamento total), expressão em inglês que se popularizou no mundo como sinônimo de medidas mais rígidas de confinamento, se mostrou como o meio mais eficiente no mundo para deter o crescimento explosivo do novo coronavírus, evitando o colapso do sistema de saúde de muitos países. Em países da América Latina, como o Brasil, no entanto, o "lockdown" foi menos rigoroso do que na Europa e na Ásia, onde a Covid-19 surgiu no fim do ano passado.

Paralisação total do transporte público foi uma das ações tomadas na China, por exemplo, algo que não ocorreu em capitais brasileiras, como Fortaleza (CE) e São Luís (MA), onde a frota de ônibus só foi reduzida pela metade.

Controle rígido em rodoviárias, portos e aeroportos foi outra providência adotada pelas nações que decretaram "lockdown". No Brasil, essa medida demorou a ser tomada - só foi em março, dois meses depois do surgimento da Covid-19 em Wuhan, cidade da província de Hubei, na região central da China.

Quarentena

Ainda que com variações nas listas do que mantiveram aberto e fechado, e na forma como chamaram, diferentes países que estavam longe de ver seus sistemas de saúde colapsar adotaram o "lockdown" para enfrentar a pandemia do novo coronavírus.

A medida se dá quando um governo impede o movimento das pessoas, fechando bares, restaurantes, empresas e a maioria das lojas e estabelecendo multas e até prisão para quem sai de casa sem motivo justificado.

A palavra quarentena também tem sido usada por países para designar restrições mais drásticas, como nos casos de Argentina, Itália e Espanha. Na Argentina, a quarentena obrigatória foi decretada em 20 de março e prevê prisão de 1 a 15 anos, por atentado à saúde pública, para quem sair às ruas sem necessidade comprovada.

Multa

Na Espanha, a quarentena total foi decretada pelo Governo em 28 de março. O país europeu proibiu a saída de casa sem necessidade, sob multa de 600 euros (cerca de R$ 3.400). Depois dessa data, o número de mortes por Covid-19 caiu e o de novas infecções estabilizou.

A Itália foi o primeiro país a entrar inteiramente em confinamento após a China. No início deste mês, depois de 56 dias de quarentena total, cerca de 4,5 milhões de pessoas voltaram ao trabalho.

Nova Zelândia

O caso mais bem-sucedido, no entanto, é o da Nova Zelândia, país com cerca de 5 milhões de habitantes, em que o "lockdown" foi decretado logo após o primeiro caso de contágio, em 28 de fevereiro.

Desde o dia 13 deste mês, o país insular, pertencente à Oceania, retomou a normalidade. Para a comunidade científica, a Nova Zelândia eliminou o novo coronavírus de seu território.

Na América do Sul, a situação é bem diferente, pois a doença não dá sinais de trégua. Ontem, o Peru teve, por exemplo, de prorrogar o confinamento até 30 de junho, assim como o estado de emergência, que expiraria em 24 de maio, mas reduziu o toque de recolher. As medidas são parte da estratégia do País para conter a pandemia.

O Peru confirmou mais de 110 mil casos e mais de 3.100 mortes desde 6 de março.

"A quarentena é para evitar a propagação do vírus", declarou, ontem, o presidente Martín Vizcarra.

Protestos no chile

No Chile, país de 18 milhões de habitantes e com mais de 57 mil casos, as mortes pela Covid-19 aumentaram 29% em 24 horas, chegando a 589. Muitos habitantes romperam o confinamento nos últimos dias para protestar por ajuda alimentar. A epidemia fez o desemprego disparar e a fome atinge os bairros mais pobres

Moratória argentina

A Argentina registrou um grande aumento de casos. Cerca de 90% das infecções estão em Buenos Aires e em sua periferia. O saldo de falecidos é 416. Ontem, o País entrou em uma nova moratória, a 2ª neste século, ao deixar de pagar US$ 500 milhões

Morte de ex-mordomo

Nos EUA, Wilson Roosevelt Jerman, que trabalhou na Casa Branca com 11 presidentes, morreu aos 91 anos, depois de ter contraído a Covid-19. O homem foi promovido a mordomo na era Kennedy (1961-1963), e se aposentou em 2012, durante o mandato de Barack Obama (2009-2017)


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