Local que Jesus nasceu e outros pontos turísticos reabrem com aposta em retomada das atividades

Dois meses de inatividade e confinamento causaram danos econômicos no mundo; enquanto o vírus atinge fortemente a América Latina, outras regiões enfrentam a fase de gradual desconfinamento

Legenda: Basílica da Natividade recebe visitantes após dois meses de portas fechadas
Foto: Foto: AFP

A Basílica da Natividade, em Belém, onde cristãos acreditam ter sido o local do nascimento de Jesus, e outros vários locais de relevância global reabriram nesta terça-feira (26), percebendo que a economia global está começando a ser retomada após a paralisação por causa da pandemia do novo coronavírus

Dois meses de portas fechadas e confinamentos em todo o mundo para conter a disseminação do novo coronavírus causaram um golpe devastador às empresas, principalmente nos setores de comércio, viagens e turismo. 

A abertura de alguns dos destinos mais visitados e simbólicos do mundo contribuiu com otimismo nesta fase de gradual desconfinamento. 

Em Belém, a Basílica da Natividade, onde os cristãos acreditam que Jesus nasceu, reabriu após mais de dois meses. 

Na Itália, que foi o epicentro mundial de contágios, as ruínas da cidade romana de Pompeia também foram reabertas. O local atraiu quatro milhões de visitantes no ano passado. Agora, apesar da reabertura, os estrangeiros ainda estão proibidos de viajar para a Itália até o próximo mês.

"Somos apenas nós, os guias e os jornalistas", suspirou Valentina Raffone, 48 anos, que disse sentir "um vazio" no local semideserto. 

O ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi di Maio, disse que trabalha com colegas da UE para fixar em 15 de junho a data para os Estados-membros reabrirem suas fronteiras e regiões turísticas.

Economia mundial em crise
Dois meses de portas fechadas e confinamentos em todo o mundo para conter a disseminação do novo coronavírus causaram um golpe devastador às empresas, principalmente nos setores de comércio, viagens e turismo. 

 

Os índices de Wall Street subiram depois que o sino começou o dia de negociação no pregão da NYSE, o mercado de Nova York fechado do final de março até hoje, operando apenas virtualmente. 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressiona os governadores a reverterem suas medidas de bloqueio, apesar de o número de mortos no país pelo novo coronavírus ter chegado a 98.223, o mais alto do mundo. 

Outras economias da Ásia e da Europa já passaram pelo pior da epidemia, mas ainda estão saindo lentamente do confinamento. 

Para muitos países, incluindo Itália e Espanha, a temporada de verão será fundamental para salvar o que resta da indústria do turismo. 

Outros países como a Rússia ainda não sentem alívio. Nesta terça-feira, o país registrou seu maior número de mortes diárias por coronavírus, com 174, apesar de ter relatado que mais de 12.000 pessoas também haviam se recuperado nas últimas 24 horas. No total, a Rússia soma 3.807 mortes e 362.342 casos, o terceiro maior número de infecções no mundo. 

Embora o foco da pandemia tenha mudado para a América Latina, o novo coronavírus continua a se espalhar. 

América Latina no foco do vírus
O Brasil se tornou o sexto país do mundo com mais mortes por Covid-19, com 23.473, e o segundo com os casos mais confirmados, já são 375.000, atrás somente dos Estados Unidos.

No Brasil, assim como no Peru e no Chile, a transmissão da doença "ainda está acelerando", alertou a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) nesta terça-feira.

A LATAM, a maior companhia aérea da América Latina, entrou com pedido de recuperação judicial nos Estados Unidos nesta terça-feira, devido à drástica queda na atividade da empresa. Antes da pandemia, a LATAM voava para 145 destinos em 26 países e fazia cerca de 1.400 voos diários.

As ações da empresa despencaram na bolsa de Santiago, e o governo chileno anunciou que avalia seu resgate.

No México, o presidente Andrés Manuel López Obrador considerou que a crise econômica resultante da pandemia causará a perda de um milhão de empregos em 2020. 

Seu colega chileno, Sebastián Piñera, declarou que o sistema de saúde está "perto do limite", enquanto na segunda-feira cerca de 5.000 casos foram registrados no país em 24 horas - um recorde. 

Na Argentina, o isolamento social vai durar até 7 de junho, o que levou cerca de 150 pessoas a protestarem no centro de Buenos Aires. O governo decidiu estender o confinamento, devido a uma rápida aceleração dos contágios, que aumentaram cinco vezes em duas semanas na capital e nos subúrbios.

 


Categorias Relacionadas