Conflito racial e pandemia desafiam Trump na corrida pela reeleição

Retorno das tensões raciais nos EUA, com a onda de protestos no caso George Floyd, fortalece a oposição, que intensifica sua ofensiva contra o presidente

A volta das tensões raciais nos EUA em plena pandemia do novo coronavírus piora a situação eleitoral do presidente Donald Trump na corrida presidencial de novembro. O republicano caiu para o segundo lugar, com 43% das intenções de votos, enquanto o rival democrata Joe Biden, ex-vice-presidente de Barack Obama, lidera com 53%, mostrou a última pesquisa da rede televisiva ABC News e do jornal "The Washington Post".

Os protestos violentos contra o racismo que abalam os EUA colocam a capacidade de Trump de conquistar a reeleição à prova.

A indignação tomou conta de dezenas de cidades após a morte, sob custódia, de George Floyd, um negro de 46 anos que se tornou o mais novo símbolo de brutalidade policial sobre os afro-americanos. O Antifa, rede de ativistas de extrema esquerda que Trump acusa de liderar a violência nas ruas, conseguiu acuá-lo nos últimos dias.

O presidente dos EUA planeja denunciar a Antifa como organização terrorista. Ele também tenta politizar o tema, atacando governadores e prefeitos democratas por terem tomado medidas brandas contra os manifestantes.

Trump considera os manifestantes "criminosos", e pediu repetidamente, pelo Twitter, para que os governadores restaurassem a ordem. Ele também provocou indignação e foi acusado de provocar a violência após tuitar: 'Quando os roubos começarem, o tiroteio começa".

O presidente não conseguiu ainda articular uma mensagem de união a um país atingido por mais de 100 mil mortes pela Covid-19 e 40 milhões de empregos perdidos pelo coronavírus, que agora atravessa a maior onda de protestos civis em décadas.

Necropsia

Acusado de ter laços com membros de grupos de supremacia branca, Trump tenta culpar os "anarquistas" na organização dos protestos, deixando de lado a brutalidade policial e a indignação da minoria negra, que transformou as últimas palavras de Floyd no slogan dos protestos: "Não consigo respirar".

Uma necropsia encomendada pela família de Floyd concluiu, ontem (1º), que o homem morreu por "asfixia devido a uma pressão sustentada" quando o policial Derek Chauvin o imobilizou apertando o joelho sobre seu pescoço. Esse laudo contradiz os resultados da necropsia oficial.

Chauvin está preso, acusado de homicídio em terceiro grau e deve ser julgado em breve. Há preocupações com sua segurança e, por isso, ele foi transferido de cadeia.

Oposição

O caso Floyd faz a oposição reforçar a acusação de racismo contra Trump. A prefeita democrata de Atlanta, Keisha Lance Bottoms, denunciou o que considerou como uma perigosa falta de liderança presidencial. "Fala e piora as coisas", disse ela. "É como Charlottesville", acrescentou, referindo-se à resposta de Trump à violência supremacista branca durante uma manifestação de 2017 na cidade da Virgínia.

"Há pessoas muito boas de ambos os lados", disse o presidente na época, referindo-se a neonazistas e manifestantes.

Embora os comentários de Trump na época tenham sido condenados por seus correligionários, o Partido Republicano não comentou a morte de Floyd, que morreu algemado e deitado de bruços na rua.