Líder de Hong Kong adia indefinidamente projeto de lei de extradição

A decisão ocorre depois de milhares de pessoas saírem às ruas em uma série de protestos contra o projeto

Legenda: O governo de Hong Kong afirmou que a lei de extradição é necessária, mas admitiu que subestimou a reação da opinião pública
Foto: Foto: Dale de la Rey / AFP

A líder de Hong Kong, Carrie Lam, adiou indefinidamente um projeto de lei que permitia que as pessoas fossem extraditadas para a China continental. O anúncio foi feito em uma conferência para a imprensa neste sábado (15).

"O governo decidiu suspender o procedimento de alteração legislativa", disse a repórteres a chefe-executiva de Pequim.

"O conselho vai parar de trabalhar no projeto até que tenhamos completado nossas explicações e ouvido as opiniões. Não pretendemos estabelecer um prazo para este trabalho", acrescentou.

Na opinião da chefe do executivo, a lei de extradição é necessária para solucionar as brechas e impedir que Hong Kong se torne um refúgio para criminosos, mas admitiu que o governo subestimou a reação da opinião pública.

"Sinto-me profundamente arrependida e lamento que as deficiências do nosso trabalho e de outros fatores tenham despertado controvérsias e conflitos substanciais na sociedade após o período relativamente calmo dos últimos dois anos", completou.

O governo chinês afirmou que apoia a decisão das autoridades de Hong Kong. Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores a qualificou como uma tentativa de "escutar mais" as opiniões sobre o projeto de lei e de "reestabelecer a calma" no território.

Na terça (11) após milhares de manifestantes saírem às ruas em Hong Kong para protestar, o Parlamento local havia anunciado que adiaria para "uma data posterior" o debate que estava marcado para quarta-feira (12).   

Nesse dia, confrontos violentos foram registrados quando a polícia tentava impedir que os manifestantes, reunidos pacificamente, entrassem no Parlamento local - que tem maioria pró-Pequim. As forças de segurança dispararam balas de borracha e gás lacrimogêneo, e quem protestava jogou de volta garrafas plásticas.

Os manifestantes também usaram guarda-chuvas, tanto para se proteger quanto em uma referência ao "Movimento dos Guarda-chuvas", mobilização que, em 2014, exigia que a eleição do chefe executivo de Hong Kong acontecesse por eleição direta. Pequim não deixou passar.

No domingo (9), a ex-colônia britânica já havia sido palco do maior protesto ocorrido desde sua transferência para a China em 1997. De acordo com os organizadores, mais de um milhão de pessoas foram às ruas pedir ao Parlamento de Hong Kong que desista de seu projeto de lei.

Outra manifestação está sendo planejada para este domingo (16) pelos organizadores da marcha. Além de pedir que o projeto seja completamente derrubado eles também querem que a polícia seja responsabilizada por como respondeu aos últimos protestos.


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