Joe Biden tem 51,9% de intenções de votos, e Donald Trump, 42,1%, diz pesquisa

Segundo o levantamento, o democrata está com uma vantagem de 9,8 pontos percentuais sobre o republicano

Trump e Biden
Legenda: A estratégia de ambos foi tentar desconstruir o adversário e se consolidar como o nome mais capacitado para o cargo
Foto: Jim Watson/Saul Loeb/AFP

O candidato democrata à Presidência dos EUA, Joe Biden, ampliou a diferença em relação ao republicano Donald Trump e alcançou, nesta quinta-feira (8), a maior vantagem de toda a corrida pela Casa Branca, de acordo com pesquisas de intenção de voto.

Segundo o compilado dos levantamentos nacionais feito pelo site especializado FiveThirtyEight, o ex-vice-presidente tem, neste momento, 51,9% das intenções de voto, contra 42,1% do republicano -uma vantagem de 9,8 pontos percentuais.

O recorde anterior tinha acontecido em 10 de julho, quando Biden abriu 9,6 pontos percentuais em relação a Trump.

Na última sexta (2), quando o atual presidente anunciou que estava com Covid-19, a vantagem do democrata era de 7,6 pontos, mas a diferença tem aumentado desde então.

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Reviravoltas

Há 24 anos que um candidato não tinha uma vantagem tão grande contra seu rival nesse estágio da disputa - a eleição acontece em 26 dias, em 3 de novembro. Em 1996, o também democrata Bill Clinton tinha 13,4 pontos de vantagem sobre seu adversário, o republicano Bob Dole.

A história eleitoral americana, no entanto, também é marcada por surpresas. O próprio Trump, aliás, protagonizou uma das mais conhecidas quando foi eleito, em 2016. Na ocasião, ele chegou ao dia da eleição como azarão -o FiveThirtyEight apontava que ele tinha cerca de 30% de chance de vitória- e saiu como presidente eleito dos Estados Unidos.

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Mas ainda que ele consiga repetir o desempenho e diminua a diferença em relação a Biden, assim como fez com Hillary Clinton, isso provavelmente não será suficiente para lhe dar a vitória. Há quatro anos, Hillary tinha 6,2 pontos percentuais de vantagem sobre Trump a 27 dias da eleição. Quando as urnas abriram, a vantagem da democrata era de apenas 2,1 pontos - 48,2% dos votos para ela, 46,1% para ele.

No peculiar sistema eleitoral americano, porém, não necessariamente o vencedor da disputa é o candidato ganhador no voto popular. Isso porque quem de fato escolhe o presidente é o Colégio Eleitoral, que não segue proporcionalmente os votos totais.

Cada estado tem um número de votos no Colégio Eleitoral proporcional à sua população. A Califórnia, com 39,51 milhões de habitantes, por exemplo, tem direito a 55 representantes. Já a Dakota do Sul, com 884,6 mil, a 3.

O candidato que vence a eleição em um estado leva todos os votos dele - as exceções são Nebraska e Maine, que dividem os votos de maneira um pouco mais proporcional. No fim do processo, é eleito quem conquistar mais da metade dos votos no Colégio Eleitoral, ou seja, ao menos 270 dos 538 votos possíveis.

Ao diminuir a vantagem de Hillary nas vésperas da eleição, Trump conseguiu virar a disputa dentro do Colégio Eleitoral - ele foi eleito com 304 votos, contra 227 da rival. Segundo analistas, é possível que a situação se repita em 2020.

De acordo com o FiveThirtyEight, Trump tem atualmente cerca de 10% de chance de perder no voto popular e mesmo assim ser reeleito (a possibilidade de algo semelhante acontecer com Biden é menor que 1%).

Para isso, porém, o republicano precisa diminuir a vantagem do democrata de uma maneira ainda mais intensa do que há quatro anos. Se a vantagem de Biden caísse 4,1 pontos até a eleição (igual a 2016), o democrata venceria Trump por uma vantagem de 5,4 pontos no voto popular.

Nesse cenário, o democrata teria 98% de chance de vencer o Colégio Eleitoral, novamente segundo o FiveThirtyEight. Ou seja, Trump até teria alguma chance de vitória, mas extremamente baixa. Para o republicano de fato entrar na disputa, a vantagem de Biden precisa cair para algo abaixo de 3 pontos percentuais –nesse caso, a chance de vitória de cada um ficará próximo de 50%.

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