Israel e Emirados Árabes Unidos normalizarão laços em acordo 'histórico' mediado por EUA

Donald Trump citou 'enorme avanço' ao anunciar sobre o acordo em suas redes; Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, disse que uma 'nova era nas relações entre Israel e o mundo árabe' se inicia

fotografia do primeiro-ministro israelense durante coletiva de imprensa
Legenda: Benjamin Netanyahu, primeiro-ministro israelense, durante coletiva de imprensa anunciando o acordo
Foto: AFP

Israel e Emirados Árabes Unidos anunciaram, nesta quinta-feira (13), um acordo para normalizar as relações com a mediação dos Estados Unidos. Este é o terceiro acordo que o Estado hebreu faz com uma nação árabe. 

O acordo, anunciado em primeira mão pelo presidente dos EUA, Donald Trump no Twitter, fará com que Israel interrompa seu plano de anexar grandes partes da Cisjordânia ocupada, segundo os Emirados Árabes Unidos.

"ENORME avanço", tuitou Trump nesta quinta-feira, referindo-se ao "Acordo de Paz Histórico entre nossos dois GRANDES amigos". 

Estabelecer laços diplomáticos entre Israel e os aliados de Washington no Oriente Médio, incluindo as ricas monarquias conservadoras do Golfo, é um objetivo fundamental da estratégia regional de Trump para conter o Irã, que também é um arquiinimigo de Israel. 

O acordo tornaria os Emirados Árabes Unidos o terceiro país árabe com o qual Israel mantém relações diplomáticas depois dos acordos de paz com Egito e Jordânia. 

O anúncio marca uma importante conquista de política externa para Trump, que se encaminha para uma difícil campanha pela reeleição em novembro. 

fotografia de Donald Trump na Casa Branca
Legenda: Donald Trump participou de uma reunião com líderes de Israel e dos Emirados Árabes hoje, na Casa Branca.
Foto: AFP

O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu disse que se trata de um "dia histórico" e que o acordo marca "uma nova era nas relações entre Israel e o mundo árabe". 

Israel concordou em "suspender a anexação de territórios palestinos" sob o plano de normalizar as relações, o príncipe herdeiro de Abu Dhabi tuitou após a bomba de Trump. 

Netanhyahu, entretanto, afirmou que a anexação de terras da Cisjordânia "foi adiada", mas que "não se renunciou a ela". 

O polêmico plano Trump, revelado em janeiro e fortemente contestado pelos palestinos, ofereceu um caminho para Israel anexar territórios e assentamentos judeus na Cisjordânia, comunidades consideradas ilegais segundo o direito internacional. 

"Durante uma ligação com o presidente Trump e o primeiro-ministro Netanyahu, um acordo foi alcançado para impedir a anexação israelense de territórios palestinos", escreveu o xeque Mohammed bin Zayed Al-Nahyan em sua conta no Twitter. 

No entanto, o grupo islâmico palestino Hamas, que comanda a costa da Faixa de Gaza, rapidamente expressou que o acordo "não serve à causa palestina".


'Expandindo laços'
O presidente Abdel Fattah al-Sissi do Egito, que assinou um tratado com Israel em 1979 contra a oposição de todo o mundo árabe, elogiou o acordo "sobre a suspensão da anexação de terras palestinas por Israel" e disse esperar que ele traga "paz" para o Oriente Médio. 

Trump sugeriu a jornalistas que mais avanços diplomáticos entre Israel e os países árabes da região são esperados, sem dar mais detalhes. 

"Estão acontecendo coisas sobre as quais não posso falar", resumiu. 

O Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, descreveu o acordo como "um passo significativo para a paz no Oriente Médio". 

"Os Estados Unidos esperam que este passo corajoso seja o primeiro de uma série de acordos que encerram 72 anos de hostilidades na região", disse Pompeo. 

Israel tem relações difíceis, às vezes violentas, com o mundo árabe e muçulmano desde sua fundação em 1948. 

O acordo seria assinado na Casa Branca em uma data futura, segundo Pompeo. 

Richard Hass, presidente do Conselho de Relações Exteriores, disse à AFP que o acordo foi "um marco na aceitação árabe de Israel na região". 

Também foi "um freio à anexação, que colocaria em risco a paz de Israel com a Jordânia e o futuro de Israel como um Estado judeu democrático", disse. 

Em um comunicado conjunto, Trump, Netanyahu e o príncipe Mohammed relataram ter conversado nesta quinta-feira "e concordaram com a normalização total das relações entre Israel e os Emirados Árabes Unidos". 

Delegações de Israel e dos Emirados Árabes Unidos se reunirão nas próximas semanas para assinar acordos bilaterais sobre investimento, turismo, voos diretos, segurança e estabelecimento de embaixadas recíprocas, disseram. 

"A pedido do presidente Trump com o apoio dos Emirados Árabes Unidos, Israel suspenderá a declaração de soberania sobre as áreas delineadas no (acordo) Visão do Presidente para a Paz e concentrará seus esforços agora na expansão dos laços com outros países do mundo árabe e muçulmano", diz o texto da declaração. 

"Os Estados Unidos, Israel e os Emirados Árabes Unidos estão confiantes de que avanços diplomáticos adicionais com outras nações são possíveis e trabalharão juntos para atingir esse objetivo", acrescentou Aaron David Miller, um veterano negociador dos EUA no processo de paz do Oriente Médio e analista do Carnegie Endowment for International Peace.

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