Irã deve superar limite do enriquecimento de urânio a partir de 7 de julho

Anúncio surge em meio às fortes tensões entre Washington e Teerã

Legenda: Hassan Rohani anunciou que o país tem a intenção de produzir urânio enriquecido a um grau acima do limite de 3,67% fixado pelo acordo nuclear de 2015

O presidente iraniano, Hassan Rohani, anunciou hoje (3) que o país tem a intenção de produzir, a partir de 7 de julho, urânio enriquecido a um nível superior ao limite máximo de 3,67% fixado pelo acordo nuclear de 2015. Rohani anunciou a medida no Conselho de Ministros, ao mesmo tempo em que reiterou suas críticas a Estados Unidos, Europa, China e Rússia. Rohani os acusa de serem responsáveis pela paralisia atual em relação ao acordo concluído em Viena em 2015. 

O anúncio surge em meio às fortes tensões entre Washington, que fazem temer um conflito na região estratégica do Golfo. A crise entre os dois países se agravou em 20 de junho, depois de Teerã abater um drone americano. Segundo o Irã, o aparelho violou o espaço aéreo iraniano. Washington nega.

Em 2015, o Irã se comprometeu a não se dotar de armas atômicas e a limitar seu programa nuclear em troca de uma suspensão parcial das sanções internacionais que asfixiavam sua economia.

O acordo se viu ameaçado, porém, desde que os Estados Unidos se retiraram unilateralmente, em maio de 2018. Na sequência, Washington restabeleceu as sanções contra a República Islâmica, privando o Irã dos benefícios que esperava obter após o pacto.

Em 8 de maio - um ano exato após a retirada dos Estados Unidos -, Teerã anunciou que deixaria de manter dois limites fixados no acordo. O texto estabelece o máximo de 1,3 tonelada para as reservas de água pesada, e de 300 quilos para as reservas de urânio pouco enriquecido.

"Em 7 de julho nosso grau de enriquecimento deixará de ser 3,67%. Deixamos de lado este compromisso. Vamos elevar acima de 3,67% tanto quanto desejarmos e na quantidade que necessitarmos", declarou Rohani durante o conselho de ministros, de acordo com um vídeo exibido pela televisão pública.

Em uma declaração direcionada aos demais países que ainda integram o acordo (Alemanha, China, França, Grã-Bretanha e Rússia), Rohani declarou: "Se querem dizer que lamentam, agora é muito tarde. E se querem publicar um comunicado, façam agora".

"Nós seguiremos respeitando (o acordo de Viena) desde que as outras partes o respeitem. Aplicaremos 100% (do acordo) no dia em que as demais partes o fizerem 100%", completou o presidente iraniano.

Extremamente preocupados

"Os Estados Unidos e seus aliados nunca permitirão que o Irã desenvolva armas nucleares", advertiu a Casa Branca, acrescentando que Washington manterá sua campanha de "pressão máxima" contra Teerã.

"Extremamente preocupados" com a alteração nas reservas de urânio enriquecido por parte do Irã, Berlim, Londres, Paris e a União Europeia pediram ontem a Teerã que "reconsidere sua decisão e se abstenha de tomar novas medidas que enfraqueçam o acordo".

"Nosso compromisso em relação ao acordo nuclear (depende) do respeito total por parte do Irã a seus compromissos", acrescentaram.

Já a China pediu aos envolvidos que ajam "com moderação", e a Rússia disse ao Irã para "não ceder à emoção e respeitar as disposições essenciais do acordo".

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