Guerra preocupa familiares cearenses

Legenda: O tanque de Israel dispara contra forças do Hezbollah na fronteira com o Líbano, no último dia 12 de julho
Foto: AFP

Desde o dia 12 passado, quando tiveram início os conflitos entre Líbano e Israel, reacendeu o barril de pólvora do Oriente Médio, em mais uma guerra de proporções ainda inimagináveis. E como das outras vezes em que o estopim pegou fogo — por motivações geopolíticas, religiosas ou econômicas —, a matança atual também atinge populações inocentes e levas de civis fogem, às pressas, da região. Neste êxodo, perto de 2.000 pessoas já vieram para o Brasil. Entretanto, nem todos conseguem sair da área de conflitos, deixando familiares apreensivos. No Ceará, libaneses e israelitas, ou mesmo descendentes desses povos, assistem a tudo com preocupação. O desejo de paz, antes de ser uma quimera, desponta com o único sonho possível.

Mozarly Almeida
Editoria de Reportagem

Um conflito sem sentido, que podia ter sido evitado com a intermediação de países vizinhos. A opinião é do deputado estadual Osmar Baquit (PSDB), 42 anos, nascido em Quixadá, no interior cearense, mas cujos avós eram sírio-libaneses. “Prego a paz”, diz, denunciando que o confronto entre Líbano e Israel está provocando um verdadeiro massacre de inocentes. Ressaltando não defender nenhum grupo terrorista, o parlamentar explica que o Hezbollah luta contra a ocupação estrangeira no Líbano, porém com método errados.

O conflito atual entre os dois países é mais religioso que político e já estava previsto no livro do profeta Joel, antigo Testamento. “O profeta prevê que, nos últimos dias, Deus entrará em juízo com todas as nações que tentarem guerrear contra Jerusalém”, afirma o israelita Jonas de Matos Silva.

Membro da Congregação Israelita Nova Aliança, Irmão Jonas, 23 anos, nasceu em Fortaleza e vê com angústia situação de insegurança dos povos daquela região. “Muitos brasileiros estão voltando por causa do medo”, diz.

Entretanto, Jonas é otimista quanto às investidas das Organizações Unidas (ONU) no sentido de ajudar a promover a paz no Oriente. Igual missão, crê, vem tentando desempenhar os Estados Unidos.

O presidente da Sociedade Israelita do Ceará, Arnaldo Len, engenheiro civil, nascido em São Paulo e há quatro anos em Fortaleza, tem amigos em Israel e está preocupado com a guerra. Para ele, o conflito só aconteceu porque houve uma invasão de um grupo terrorista (o Hezbollah) a um território israelense, pelo sul do Líbano, com a morte de oito soldados israelenses e seqüestro de mais dois soldados daquele país. “Imagine se fizessem isso a um território brasileiro?”, pergunta, acrescentando que Israel está defendendo sua soberania.

Sobre as informações de que Israel está promovendo a matança de civis no Líbano, Arnaldo Len adianta que o Hesbolhah já disparou mais de mil mísseis contra norte de Israel, inclusive atingindo civis. Quanto aos libaneses que estão fugindo dos ataques, ele comenta: “Falam que libaneses estão desocupando suas casas, esquecem que mais de milhão de israelenses (judeus, cristãos, muçulmanos, drusos e de outras religiões) estão deixando o norte de Israel e indo para o sul”.

EXPECTATIVA - Quando Israel desocupou o sul do Líbano, há seis anos, e a Faixa de Gaza, há um ano, a expectativa era de que cessasse a violência, com a devolução dos territórios árabes. “Porém, não foi o que aconteceu”, observa Paulo Tavares, bancário judeu nascido no Ceará e que tem amigos atualmente morando em Israel. “Estou temendo pelos meus amigos e também pelas populações dos dois países, pois estão sofrendo”, enfatiza, acrescentando ser um erro dizer que Israel atacou o Líbano apenas porque os Hezbollah invadiu sua fronteira e seqüestrou dois soldados. “Ninguém lembra que antes o Hamas vinha jogando, de Gaza, mais de 700 mísseis em Israel”, critica.