França pede que desempregados viajem ao campo para ajudar agricultores

"Há atualmente 200.000 empregos disponíveis em todo o setor agrícola", em grande parte porque os trabalhadores temporários geralmente vêm da Espanha ou de países do leste da Europa e não podem mais entrar no país, afirmou o ministro da Agricultura, Didier Guillaume

Legenda: Os agricultores precisam urgentemente de mão de obra, já que as primeiras colheitas de aspargos, morangos e outros produtos sazonais estão se aproximando
Foto: Foto: Nicolas Tucat/AFP

O ministro francês da Agricultura, Didier Guillaume, fez uma convocação nesta terça-feira (24) aos franceses que ficaram sem emprego devido ao confinamento pelo coronavírus, pedindo que viajem ao campo para ajudar os agricultores que precisam de mão de obra.

"Há atualmente 200.000 empregos disponíveis em todo o setor agrícola", em grande parte porque os trabalhadores temporários geralmente vêm da Espanha ou de países do leste da Europa e não podem mais entrar no país, afirmou Guillaume em entrevista com o canal de televisão BFM. 

Os agricultores precisam urgentemente de mão de obra, já que as primeiras colheitas de aspargos, morangos e outros produtos sazonais estão se aproximando.

"Chamo as mulheres e homens que não trabalham, que estão confinados em suas casas, garçons, recepcionistas, cabeleireiros, todos cujos negócios estão fechados... e lhes peço que se unam ao grande exército agrícola da França", disse. 

"Devemos produzir para alimentar os franceses", enfatizou. Se trata de "uma ação cidadã", acrescentou.

O ministro afirmou que os cidadãos voluntários terão contratos de trabalho, mas não especificou como as pessoas podem encontrar os trabalhos disponíveis ou receber autorização para viajar em pleno confinamento.

"Veremos como podemos fazer com que as coisas funcionem", disse Guillaume.

Os restaurantes, hotéis e comércios de todo o país fecharam suas portas há mais de uma semana, o que representa um golpe duro para a economia francesa, justamente antes do início da alta temporada.

O setor turístico do país pode perder até 40 bilhões de euros (43,3 bilhões de dólares) se a crise durar três meses, enfatizou para a Sud Radio nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores, Jean-Baptiste Lemoyne. 

No ano passado, os visitantes estrangeiros gastaram cerca de 58 bilhões de euros no país, enquanto que os veranistas franceses somaram outros 110 bilhões de euros. 

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