EUA batem recorde de mortes e adotam uso de máscaras nas ruas

Pressionado pelo saldo crescente de óbitos, em ano eleitoral, Donald Trump contraria OMS e incentiva até pessoa sem sintoma a cobrir o rosto em público

Legenda: Para OMS, o uso de máscaras só é recomendado para quem apresenta sintomas da doença
Foto: Foto: AFP

Os EUA bateram, nesta sexta-feira, o recorde de mortes diárias pelo novo coronavírus, atingindo quase 1.200 óbitos, número que nenhum país havia alcançado. Diante da tragédia, o presidente Donald Trump, anunciou, ontem, novas recomendações do Governo para que todos os americanos usem máscaras ao saírem às ruas para conter a pandemia.

Trump disse, durante coletiva de imprensa na Casa Branca, que os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) encorajaram as pessoas a usar qualquer cobertura facial, como echarpes, com esta finalidade e manter as máscaras cirúrgicas livres para os profissionais de saúde.

"Vai ser realmente uma coisa voluntária", ressaltou. "Vocês não precisam fazê-lo e eu estou escolhendo não fazê-lo, mas algumas pessoas podem querer fazê-lo e tudo ok".

O CDC insiste na necessidade de cobrir o rosto quando se sai para fazer compras, quando é difícil manter o distanciamento social. E publicou um estudo sobre casos de transmissão do vírus em Singapura por pessoas assintomáticas.

A medida representa uma mudança, pois as autoridades têm dito durante semanas, com base em recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do CDC, que não era necessário usar máscara a menos que a pessoa tivesse sintomas de coronavírus.

Nos EUA, onde ainda existem governadores que não decretaram medidas de confinamento, a tensão aumenta. Além do saldo crescente de mortes, Washington tem outro desafio que pode causar uma depressão econômica: o desemprego. Em duas semanas, quase dez milhões de americanos solicitaram seguro-desemprego, e ontem foi relatado que a taxa subiu de 3,5% para 4,4% em um mês.

A piora do indicador de emprego pode prejudicar o discurso de campanha de Trump à reeleição, dizem analistas.

Europa

Na Europa, o coronavírus já matou mais de 40 mil, mais de dois terços na Itália, Espanha e França. A Espanha, o segundo país, depois da Itália em número de mortos, voltou a exceder 900 mortos ontem, a exemplo do dia anterior, e já está perto de 11 mil mortes. No entanto, autoridades de saúde espanholas insistem em que as hospitalizações e contágios continuam baixando.

Na Alemanha, as medidas de restrição começam a surtir efeito. Os números dão "esperança", mas ainda é "muito cedo" para suavizá-las, diz a chanceler Angela Merkel.

Na Grã-Bretanha, outras 684 mortes foram registradas, superando seu próprio recorde de mortes diárias, enquanto o Governo conclui a construção de um gigantesco hospital com 4 mil leitos. O premiê Boris Johnson, que testou positivo, permanecerá convalescente por mais uma semana.

Disputa

Diante da pandemia, os países enfrentam a escassez de material de saúde. A concorrência desencadeada por essa situação é implacável. "Os mercados de suprimentos estão entrando em colapso", disse o professor Christopher R. Yukins, da Universidade de Washington.

Os compradores não são apenas governos, mas empresas e até legisladores que vão a fábricas, pontos de distribuição, dispostos a levar máscaras, equipamentos médicos, pagando em dinheiro e pelo preço que pedem. "Nossos cônsules que vão às fábricas chinesas encontraram colegas de outros países que queriam passar por cima dos nossos pedidos. Eles tinham mais dinheiro. Cada remessa é uma briga", disse o deputado ucraniano Andrii Motovylovet.


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