Espanha revisa o aumento de mortes por coronavírus para mais de 28.300

Saldo de mortos pelo coronavírus no País estava congelado há 12 dias em 27.136; governo justifica com a dificuldade de gerenciar as informações durante o pico da epidemia

Fotografia de cemitério durante a pandemia do coronavírus
Legenda: 245.268 pacientes foram testados positivamente na Espanha, 28.313 morreram
Foto: AFP

Após 12 dias com o saldo congelado em 27.136, o governo espanhol revisou, nesta sexta-feira (19), para cima o balanço de mortos por coronavírus, 28.313 até o momento.

O balanço havia sido suspenso porque, segundo o governo, houve problemas nas séries de dados fornecidas pelas 17 regiões do país.

A dificuldade, segundo o governo, se concentrou no período de pico da epidemia, no final de março e começo de abril, quando foram relatadas mais de 900 mortes diárias e o fluxo de informações era difícil de gerenciar com precisão.

Após essa análise, o Ministério da Saúde atualizou o número total e registrou nesta sexta 28.313 mortos pela pandemia na Espanha até o momento, um dos maiores saldos da Europa.

O dado sobre mortos em lar de idosos, foco de uma alta mortalidade e um dos pontos mais sombrios da crise, ainda não foi fornecido.

Fernando Simón, diretor do centro de emergências em saúde, dependente do Ministério da Saúde, reconheceu que havia "alguma controvérsia" no congelamento de dados, o que provocou críticas ao governo por "desinformação".

Mas defendeu que era necessário interromper o número total, dada a "necessidade de atualizar os dados de todos os casos registrados".

Simón referiu-se também ao excesso de mortes registrado no período central da pandemia que, segundo fontes oficiais, foi de 43.340 pessoas entre 13 de março e 22 de maio.

Esse número foi usado pela oposição para dizer que na realidade houve muito mais mortes na Espanha do que afirma o governo. Mas Simón respondeu que "não há confirmação de que o coronavírus" tenha sido a causa dessas 15.000 mortes adicionais.

Segundo os números revisados, de 4 a 17 de junho houve 182 mortes, com números muito baixos nos últimos dias: 2 mortos em 17 de junho, 5 no dia 16 e 7 em 15 de junho.

Em comparação, em meados de maio foram relatadas entre 50 e 100 mortes diariamente.

Simón informou também o número de hospitalizados em cuidados intensivos, 312 atualmente, em comparação aos 5.500 no pior momento da doença.

"A epidemia está muito controlada", embora o vírus ainda esteja presente e, com a reabertura das fronteiras aos vizinhos europeus neste domingo, "possa chegar na Espanha de novo", alertou Simón.

O governo indicou que os casos oficialmente diagnosticados na Espanha foram até o momento 245.268, graças aos testes PCR realizados na última semana em um ritmo de cerca de 40.000 por dia.


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