Movimento global contra o racismo ganha força com novas adesões

Após 8 dias seguidos de protestos nos EUA, França tem manifestação contra a brutalidade policial, enquanto as redes sociais lançam a "terça do blecaute"

Legenda: Protesto contra o racismo e a violência policial tomou conta, ontem, das ruas de Paris
Foto: AFP

O combate ao racismo e ao fascismo se transformou na primeira bandeira política a mobilizar integrantes de movimentos sociais em todo o mundo, nesta fase da pandemia do novo coronavírus, marcada pelo desconfinamento em vários países. A morte de um homem negro nas mãos da Polícia de Minneapolis (EUA), há dez dias, foi o estopim para uma articulação global de forças de esquerda nas ruas e nas redes sociais.

Os protestos contra a violência policial e contra a discriminação racial entraram, ontem (2), no seu oitavo dia, em várias cidades americanas, e ultrapassaram as fronteiras, contagiando a França. Ontem, 20 mil pessoas participaram de uma manifestação em Paris, que resultou em distúrbios.

Já a cidade de Nova York manterá o toque de recolher até domingo devido aos diversos roubos de comércios em meio aos protestos. Artistas, celebridades, atletas e usuários potencializaram os protestos aderindo à campanha "Black Out Tuesday" (terça do blecaute), publicando uma tela preta em suas redes sociais, símbolo da campanha de solidariedade aos protestos.

O presidente americano Donald Trump acusa o grupo esquerdista Antifa pela onda de protestos violentos e ameaça a qualificá-lo como terrorista, assim como a Al-Qaeda e o Estado Islâmico.

Antifa

A palavra "antifa" provém de antifascismo e começou a ser usada na Alemanha, no início dos anos 1930, para denominar grupos socialistas resistentes ao surgimento do nazismo. Nas últimas décadas, grupos antifascistas fizeram campanha por assuntos sociais.

"Lutamos por um mundo livre do fascismo, racismo, sexismo, homo/transfobia, antissemitismo, islamofobia e intolerância", informa o Antifa de Nova York, no Twitter.

Segundo o Serviço de Investigação do Congresso, o Antifa não possui uma organização nacional, nem um líder.

Outros protestos por motivo racial

2016: Charlotte
Manifestações violentas eclodiram em Charlotte, Carolina do Norte, em setembro, após a morte de Keith Lamont Scott, 43, um homem negro que morre atingido por um disparo após descer de um veículo abordado pela Polícia. Houve várias noites de protestos.

2015: Baltimore
Freddie Gray, um jovem negro de 25 anos, morre em 19 de abril, uma semana depois de sofrer uma fratura no pescoço enquanto é transportado pela Polícia em Baltimore, Maryland. O caso desencadeou violentos protestos e saques.


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