"Corremos um risco constante de surgimento de novos patógenos", diz especialista sobre vírus G4

Novo tipo de vírus da gripe suína é capaz de gerar uma pandemia, segundo estudo

Legenda: Secreções nasais de mais de 30 mil porcos chineses foram analisadas na pesquisa
Foto: Reprodução

Pesquisadores chineses identificaram um novo tipo de vírus da gripe suína, capaz de gerar uma pandemia, segundo um estudo publicado nesta segunda-feira na revista científica americana "PNAS". "O trabalho vem como um lembrete salutar de que corremos um risco constante de surgimento de novos patógenos de origem animal, e de que animais de criação, com os quais o homem tem maior contato, podem atuar como fontes de vírus importantes geradores de pandemias", adverte James Wood, chefe do departamento de medicina veterinária da Universidade de Cambridge.

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Chamado de G4, o vírus é derivado da cepa H1N1, que causou a pandemia de 2009. "Ele possui todas as características essenciais de ser altamente adaptável para infectar seres humanos", assinalam os autores do estudo, cientistas de universidades chinesas e do Centro para o Controle e Prevenção de Doenças chinês.

De 2011 a 2018, pesquisadores colheram 30 mil amostras de secreções nasais de porcos em abatedouros de 10 províncias chinesas e em um hospital veterinário, o que lhes permitiu isolar 179 vírus da gripe suína. A maioria era de um novo tipo, dominante entre os porcos desde 2016.

Os pesquisadores realizaram vários testes, inclusive em furões, animais muito usados em estudos sobre a gripe por apresentarem sintomas semelhantes aos do homem, principalmente febre, tosse e espirros. O G4 se mostrou altamente infeccioso, replicando-se em células humanas e causando mais sintomas sérios nos furões do que outros vírus. Os testes também mostraram que qualquer imunidade adquirida com a exposição à gripe sazonal não oferece proteção contra o G4.

De acordo com exames de sangue que mostraram anticorpos criados pela exposição ao vírus, 10,4% dos trabalhadores da indústria de carne suína já foram infectados. Um total de 4,4% da população em geral também parece já ter sido exposta ao vírus.

O vírus já passou dos animais para o homem, mas não há evidências de transmissão entre seres humanos, maior preocupação dos cientistas. "É preocupante que a infecção humana pelo vírus G4 promova a adaptação humana e aumente o risco de pandemia", assinalam os pesquisadores, que pedem medidas urgentes para monitorar as pessoas que trabalham diretamente com porcos.


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