Com exceção do México, produtores de petróleo concordam em reduzir produção

Apesar de não pertencer a OPEP, a aprovação do país latino é essencial para ratificar a decisão

Legenda: A Arábia Saudita presidiu reunião extraordinária virtual da OPEP e não-OPEP
Foto: Foto: AFP/ Saudi Press/ Agency SPA

Os produtores de petróleo, exceto o México, concordaram em reduzir a produção mundial em 10 milhões de barris por dia em maio e junho, anunciou nesta sexta-feira (10) a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), num momento em que a Arábia Saudita acolhe uma reunião de ministros da Energia do G20.

Uma declaração da OPEP, emitida após onze longas horas de negociações por videoconferência, informa sobre o acordo de redução da oferta mundial de 10 milhões de barris por dia (mbd) nos próximos dois meses, alcançado na reunião organizada pela OPEP e pela Rússia, país que não é membro da organização.

No entanto, um obstáculo permanece: um país que não pertence ao cartel, o México, não deu sua aprovação, que é essencial para ratificar a decisão.

Em paralelo, a Arábia Saudita conduz nesta sexta-feira uma reunião virtual dos ministros da Energia do G20 e espera expandir o acordo aos países não membros da OPEP, como Estados Unidos e México.

Devido ao confinamento de metade da população mundial para limitar a pandemia de COVID-19, a forte desaceleração dos transportes e o declínio da produção industrial, a demanda por petróleo despencou, num momento em que a oferta mundial já estava em superávit.

Os mercados temiam o atrito entre Riade, líder da OPEP, e Moscou. Mas finalmente foi o México que obstruiu o processo, considerando excessivo o esforço de 400.000 milhões de barris por dia, em comparação com outros países. A retirada dos 10 milhões de barris por dia em maio e junho, e após, de julho a dezembro, a retirada de oito, ficaria a cargo principalmente da Arábia Saudita e da Rússia, mas pelo menos outros 20 países devem participar do esforço, segundo a mesma fonte.

A ministro da Energia do México, Rocío Nahle García, tuitou que seu país sugeriu um corte de 100.000 barris. "Estão perto de um acordo, em breve saberemos", disse o presidente dos EUA, Donald Trump, depois de conversar com seu colega russo, Vladimir Putin, e com o rei Salman, da Arábia Saudita.

"Eles provavelmente anunciarão algo hoje ou amanhã", afirmou.