Com adesão reduzida, partidários de Evo Morales começam campanha

Morales monitora seu partido como chefe de campanha a partir de Buenos Aires, onde está asilado

Legenda: Luis Arce, candidato à Presidência pelo MAS, foi ministro da Economia de Morales e teve uma gestão internacionalmente elogiada
Foto: AFP

Muito distante das multidões que o ex-presidente Evo Morales costumava convocar, os novos candidatos do partido dele deram início à corrida eleitoral na Bolívia neste sábado (8), com vistas à eleição geral de 3 de maio.

O cenário foi a populosa cidade de El Alto, vizinha à capital La Paz e um dos principais redutos de Morales. Pouco mais de 300 seguidores de Morales, quase todos de bairros populares, se reuniram para proclamar Luis Arce como presidente e David Choquehuanca como vice pelo Movimento ao Socialismo (MAS) em uma estação de teleférico local, uma das obras emblemáticas do governo de 14 anos do ex-presidente.

Arce foi ministro da Economia de Morales e teve uma gestão internacionalmente elogiada. Ele é um profissional de classe média, com estudos em Londres e sem passado político. Já David Choquehuanca, ex-chanceler, é um indígena aymara preferido muitos dos membros do MAS, um partido que aglutina principalmente organizações indígenas, rurais e a classes populares urbanas.

"Temos de reconhecer que, por fazer as coisas bem, cometemos erros e temos de corrigi-los porque as pessoas clamam pelo avanço", disse Arce, em referência aos questionamentos sobre corrupção no governo Morales.

No entanto, ele diz que o governo "golpista de Jeanine Añez (presidente interina) está colocando em risco todos os avanços" de Morales. Uma copiosa chuva dispersou as pessoas no momento em que os candidatos falavam.

Morales monitora seu partido como chefe de campanha a partir de Buenos Aires, onde está asilado.

O MAS enfrenta uma oposição fragmentada com sete candidatos e cuja rival mais forte parece ser a presidente Añez, da aliança de centro-direita Juntos e que decidiu postular ao cargo, contradizendo uma promessa sua de priorizar a transição política do país depois da violenta crise que culminou na renúncia de Morales e a morte de 35 pessoas.

As pesquisas mostram o MAS na liderança, mas incapaz de conquistar um mandato no primeiro turno.