Brasil fecha frente religiosa com EUA, Hungria e Polônia

Em comunicado conjunto, Brasil e Polônia afirmaram ter princípios e valores comuns como "liberdade, democracia e economia de mercado"

Legenda: Ernesto Araújo
Foto: AFP

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, chegou na quarta-feira, 5, a Washington, nos EUA, para o lançamento oficial da Aliança Internacional de Liberdade Religiosa. Na prática, o objetivo será monitorar e denunciar abusos e violações à liberdade religiosa pelo mundo.

Além do governo brasileiro, participam do evento EUA, Polônia e Hungria - nações com as quais o Brasil tem estreitado relações desde o início do mandato do presidente Jair Bolsonaro.

O desafio da intolerância religiosa

Em comunicado conjunto, Brasil e Polônia afirmaram ter princípios e valores comuns como "liberdade, democracia e economia de mercado". Também disseram que as duas nações estão comprometidas a trabalhar juntas para fortalecer suas "identidades nacionais". "O Brasil e a Polônia estão profundamente comprometidos com a liberdade religiosa no mundo", afirma o documento.

Na avaliação de Uziel Santana, presidente da Associação Nacional de Juristas Evangélicos no Brasil (Anajure), a entrada do Brasil nas discussões internacionais sobre a perseguição religiosa pode ajudar no convencimento das demais nações sobre o tema.

"Quando EUA ou Europa reivindicam uma situação no Iraque, por exemplo, é diferente de um país latino-americano fazer isso. Eles realmente param para ouvir, não existe aquele 'ranço' de um neocolonialismo. É importante o Brasil assumir esse protagonismo."

O filósofo Luiz Bueno, professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), disse que é preciso acompanhar as ações e propostas da aliança. "Aparentemente, é a defesa de um direito universal. Mas, concretamente, é preciso ver que iniciativas o grupo vai patrocinar", afirmou Bueno, que fez doutorado em ciências da religião.

De acordo com ele, o Brasil não tem problemas de perseguição religiosa. "O que há são conflitos entre crenças, mas não é como acontece no Oriente Médio ou na África", afirmou. Para Bueno, a iniciativa pode ser um recado de Bolsonaro ao seu eleitorado, aos moldes do que faz Donald Trump, nos EUA. "É um discurso que agrada a base do Trump e pode agradar aqui a base do presidente."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.