Bolsonaro diz que é 'quase irmão' de príncipe saudita e que falta 'comando' ao Brasil

Apesar do discurso em tom autoritário e a declaração de afinidade com um regime ditatorial, Bolsonaro fez um aceno ao Congresso. "Não posso fazer nada sem o Parlamento. Ele é muito importante", afirmou

Legenda: Bolsonaro discursou na conferência de investimentos na Arábia Saudita, conhecida por "Davos no Deserto"
Foto: AFP

Pressionado por uma crise interna, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) fez um discurso de improviso e emocionado a investidores sauditas reunidos na conferência conhecida como "Davos no Deserto", em Riad, na Arábia Saudita.

Bolsonaro abriu sua fala dizendo que se sentiu "quase irmão" do príncipe saudita Mohammed bin Salman, mandatário polêmico conhecido pela abertura que vem fazendo no país, mas também pelo desrespeito aos direitos humanos.

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MBS, como é chamado, é acusado de ser o mandante do assassinato do jornalista do Washington Post Jamal Khashoggi, que foi morto no ano passado ao entrar na embaixada saudita em Istambul, na Turquia.

Bolsonaro também disse aos investidores que "faltava comando" ao Brasil antes dele tomar posse e não havia "políticos sérios" em governos anteriores. Afirmou ainda que "o povo brasileiro confia em nosso governo". "Sou capitão do Exército com muito orgulho. O que eu forjei no Exército vou utilizar no comando do país", completou.

Apesar do discurso em tom autoritário e a declaração de afinidade com um regime ditatorial, Bolsonaro fez um aceno ao Congresso. "Não posso fazer nada sem o Parlamento. Ele é muito importante", afirmou, depois de ressaltar à aprova da reforma da Previdência.

O presidente aparentava cansaço no evento após dormir apenas uma hora na noite anterior para rebater uma reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, que envolveu seu nome no assassinato da vereadora Marielle Franco.

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O porteiro do condomínio onde o presidente vivia no Rio de Janeiro disse à Polícia Civil que um dos acusados do crime pediu para ir a casa dele no dia do assassinato. Um homem na casa teria autorizado a entrada, mas nesse dia Bolsonaro, ainda deputado, marcou presença na Câmara em Brasília.

Antes desse último escândalo, o presidente já vinha acuado nesses últimos dias de seu tour pela Ásia após publicar um post no Twitter comparando o STF, o PSL e outros a hienas e a si mesmo a um leão acuado.

Em entrevista ao jornal O Estado de S.Paulo, ele pediu desculpas ao STF e disse que publicaria um novo tuíte se retratando, o que não aconteceu. Desde então, se recusou a falar com a imprensa sobre este assunto.