Atos contra o racismo terminam em violência em Londres e Paris

Capitais de países europeus são tomadas por manifestantes que exigem ações a favor da igualdade racial, como a remoção de estátuas consideradas racistas

Legenda: Confronto entre grupos antirracistas e de extrema direita mancha de sangue manifestação pela igualdade racial em Londres. Houve também repressão contra protestos na França
Foto: AFP

A luta de combate ao racismo, inflamada por recentes casos de mortes de negros desarmados por forças policiais, ganha as ruas das principais cidades do mundo nos fins de semana, resultando em episódios de repressão aos manifestantes, de vandalismo e de embates violentos entre grupos radicais da esquerda e da direita.

Ontem (13), os protestos tomaram as ruas de Londres, no Reino Unido, e de Paris, na França. Na capital britânica, várias centenas de manifestantes antirracistas se reuniram no centro, enquanto militantes da extrema direita se mobilizaram perto do Parlamento em torno de estátuas que afirmam querer proteger, em uma atmosfera tensa.

A ministra do Interior, Pritti Patel, retuitou um vídeo de manifestantes de extrema direita criticando a Polícia e denunciou uma "violência inaceitável". A ministra pediu aos manifestantes que retornassem às suas casas para impedir a propagação do coronavírus e, assim, "salvar vidas".

Apesar do fato de o movimento "Black Lives Matter" ter cancelado o protesto que planejava realizar à tarde no centro, várias centenas de pessoas se reuniram no Hyde Park antes de se dirigir ao Parlamento, após pedidos da Polícia por um percurso preciso, a fim de evitar um confronto com a extrema direita.

Churchill

No fim de semana passado, os protestos, organizados após a morte do afro-americano George Floyd, asfixiado por um policial branco em Minneapolis, foram "globalmente pacíficos", afirmou o comandante da Polícia em comunicado, embora uma "minoria" tenha atacado agentes da polícia e cometido atos de vandalismo, em particular contra a estátua do ex-primeiro ministro Winston Churchill, perto do Parlamento.

O monumento foi pichado com a inscrição "era um racista". Churchill é acusado de ter feito declarações racistas, especialmente contra os indianos. Depois que outras estátuas simbolizando o passado colonial do país foram atacadas, como a de um comerciante de escravos que foi arrancada em Bristol, decidiu-se proteger as de Nelson Mandela e Gandhi, perto do Parlamento, e a de Churchill, que foi coberta com placas de metal.

O neto de Winston Churchill e ex-ministro conservador Nicholas Soames condenou o que ele chamou de atos "covardes". "A ideia de que a extrema direita deve vigiar a estátua de Churchill é absolutamente nojenta", disse ele ao jornal The Telegraph, ontem.

A ministra do Interior pediu que a estátua de Churchill voltasse a ser exposta. "Deveríamos libertar Churchill, um herói de nossa nação que lutou contra o fascismo e o racismo neste país e na Europa", disse.

Paris

Já milhares protestaram em Paris e outras cidades contra o racismo e a violência policial, em um contexto de queixas das próprias forças de segurança que se declaram "abandonadas" pelo Governo.

Os manifestantes se reuniram na Praça da República em Paris, inicialmente sem incidentes, embora a tensão tenha aumentado à tarde, com lançamento de gás lacrimogêneo pela Polícia e de objetos e garrafas por parte de alguns participantes do ato.

A manifestação foi convocada pelo comitê que leva o nome de Adama Traoré, um jovem negro morto em 2016 após ser preso pela guarda.

Assa Traoré, irmã do jovem morto, foi à manifestação para "denunciar a ausência de justiça" e "a violência social, racial, policial". Pediu também a acusação dos policiais envolvidos na prisão de seu irmão Adama.

Por vários dias, milhares de pessoas foram às ruas para denunciar a violência policial e o racismo na França. O Governo reagiu reforçando punições a policiais envolvidos, o que irritou os sindicatos da categoria. O presidente Emmanuel Macron, deve fazer hoje um discurso na TV à nação, a princípio focado nas medidas contra o coronavírus, que será visto tanto por militantes antirracistas como pelos policiais que se declaram abandonados pelo Governo.

Comício de Trump

O presidente americano Donald Trump adiou um comício que estava marcado para o mesmo dia que o do fim da escravidão nos EUA. O comício de Tulsa, Oklahoma, marcaria o retorno de Trump à atividade de campanha, mas o presidente disse que o evento havia sido adiado "por respeito" ao feriado conhecido como "Juneteenth", em 19 de junho. Choveram críticas depois que Trump escolheu Tulsa - local de um dos piores massacres raciais da história americana - à medida que os protestos antirracistas se multiplicam no país.


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