Apesar de endurecimento na repressão, protestos crescem nos EUA

Após o assassinato de George Floyd, homem negro, por um policial branco, as manifestações seguem tomando cidades nos Estados Unidos e questionam racismo no país; governantes endurecem repressão contra manifestantes

Legenda: Os protestos se espalharam para outras cidades além de Minneapolis, como Nova York.
Foto: Foto: AFP

O endurecimento das medidas de repressão aos protestos pela morte de George Floyd, homem negro, após o policial branco Derek Chauvin detê-lo, algemá-lo e imobilizá-lo, não fez manifestantes em todo os Estados Unidos recuarem. O presidente dos EUA, Donald Trump chegou a dizer que poderia enviar tropas do Exército para coibir protestos, enquanto alguns governadores começam a solicitar auxílio da Guarda Nacional.

O vídeo em que Chauvin aparece ajoelhado sobre o pescoço de Floyd durante mais de nove minutos, com ajuda de outros três policiais inflamou as tensões raciais não só em Minneapolis, cidade onde o crime ocorreu, como em outros pontos do país. Cinco dias após o episódio, na última segunda-feira (25), os protestos continuam se alastrando pelas ruas dos EUA.

Na sexta-feira à noite, helicópteros sobrevoaram Minneapolis enquanto os manifestantes enfrentavam a polícia e explosões eram ouvidas nas ruas. A multidão prosseguia nas ruas, apesar do toque de recolher decretado pelo prefeito da cidade, Jacob Frey.

"Dá medo, mas ao mesmo tempo é necessário", disse um jovem estudante que preferiu não ser identificado. "Aconteceram muitos protestos pacíficos e nada mudou. Às vezes as coisas devem piorar antes de melhorar".

A maior parte dos atos de ontem (30) ocorre pacificamente, porém, houve novos episódios de confronto em cidades como Los Angeles, Nova York, Chicago e Filadélfia. Durante a noite, tumultos e conflitos entre manifestantes e policiais deixaram ao menos dois mortos, e centenas de pessoas foram presas.

Repressão

As autoridades locais foram conciliadoras nos primeiros dias dos protestos, mas após os protestos chamaram a Guarda Nacional e endureceram o tom. "Não há honra em queimar sua cidade", disse o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey. "Isto tem que parar", ressaltou.

Além dos confrontos entre policiais e manifestantes, foram registrados incêndios e saques. "Não se trata da morte de George. Não se trata de iniquidades reais. Trata-se de caos", considera o governante. Mil agentes adicionais da Guarda Nacional foram mobilizados ontem ante os protestos violentos.

Oficiais

As acusações de assassinato em terceiro grau apresentadas contra o oficial na sexta-feira não foram suficientes para acalmar a revolta dos manifestantes contra o racismo policial. A família de Floyd deseja que os outros três oficiais que participaram na ação também sejam acusados.

Presidente

Donald Trump afirmou que a memória de Floyd está sendo "desonrada pelos manifestantes, saqueadores e anarquistas" e pediu "reconciliação, não ódio, justiça, caos". Trump também ameaçou usar o Exército contra os manifestantes e diz que "quando os saques começarem, o tiroteio vai começar", citação de um chefe policial racista em 1960.


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