Ao Congresso, ex-advogado dirá que Trump é racista e sabia de vazamento de emails democratas

Michael Cohen, ex-advogado do presidente americano, presta depoimento ao Congresso nesta quarta-feira (27)

O presidente americano, Donald Trump, sabia que Roger Stone, seu conselheiro político, estava se comunicando com Julian Assange, fundador da WikiLeaks, sobre a publicação de emails do Comitê Nacional Democrata que prejudicaram Hillary Clinton, adversária do republicano nas eleições de 2016.

A afirmação está presente no depoimento de Michael Cohen, ex-advogado do presidente, obtido antecipadamente pelo site Politico. Cohen falará ao Congresso nesta quarta-feira (27).

No documento, Cohen chama Trump de "racista", "trapaceiro", "fraude" e acusa o presidente de assinar pessoalmente cheques para encobrir pagamentos destinados a silenciar a ex-atriz pornô Stormy Daniels, que afirma ter tido um caso com o republicano em 2006.

O ex-advogado afirma ainda que o presidente nunca ordenou diretamente que ele mentisse ao Congresso sobre os negócios na Rússia, apenas implicitamente.

Nesta quarta, Cohen pretende dizer à comissão de supervisão e reforma da Câmara dos Deputados que Trump sabia que Stone "estava conversando com Julian Assange" sobre o vazamento de emails democratas. "Stone disse a Trump que ele tinha acabado de falar por telefone com Julian Assange e que Assange disse a Stone que, em alguns dias, haveria a liberação em massa de emails que prejudicariam a campanha de Hillary Clinton", dirá Cohen. A democrata foi derrotada pelo republicano nas eleições de 2016.

Segundo Cohen, Trump teria respondido: "isso seria ótimo." Mas o ex-advogado pretende esclarecer que não tem evidência direta de que o republicano ou sua campanha tenham conspirado com a Rússia para interferir no resultado das eleições de 2016, assunto que é investigado pelo procurador especial Robert Mueller.

Os documentos a que o Politico teve acesso incluem um dos 11 cheques que o presidente teria preenchido, depois de assumir o cargo, para reembolsar Cohen pelos pagamentos feitos a Daniels.

Segundo Cohen, o dinheiro veio da conta bancária de Trump. Ele também pretende apresentar à comissão da Câmara cópia de uma transferência de US$ 130 mil que fez a Daniels para silenciá-la sobre o caso com Trump.

Cohen, que se declarou culpado de crimes como mentir ao Congresso e violar leis de financiamento de campanha por causa dos pagamentos à ex-atriz pornô, dirá que tem vergonha de ter ajudado Trump a esconder seus "atos ilícitos". "Eu estou envergonhado porque eu sei o que o Trump é. Ele é racista. Ele é trapaceiro. Ele é uma fraude."
Em seu depoimento, o ex-advogado vai dizer que o presidente dirigiu "um esquema criminoso para violar leis de financiamento de campanha", em relação ao pagamento a Daniels.

Cohen também vai relatar um caso que sugere que o presidente tinha conhecimento de um encontro realizado em junho de 2016 sobre a Trump Tower. Funcionários de sua campanha teriam se reunido com um advogado com ligações com a Rússia que estaria oferecendo informações negativas sobre Hillary.

Segundo o relato de Cohen, ele estava com Trump em seu escritório quando Donald Trump Jr., filho do presidente e que participou da reunião, entrou no local, se aproximou do pai e disse, em voz baixa, que "o encontro estava acertado."

O ex-advogado do republicano afirma que ele respondeu "bom" e pediu para ser mantido informado. O presidente nega ter tido conhecimento prévio sobre a reunião, que também é alvo da investigação de Mueller.

Sobre os negócios da Organização Trump com Moscou, Cohen vai dizer que Trump não disse diretamente que mentisse, mas afirma que o presidente olhava em seu olho e dizia que não havia negócios com a Rússia e depois falava o mesmo para a população. "Da forma dele, ele estava me dizendo para mentir."

Os advogados de Trump também teriam revisado e alterado seu falso testemunho ao Congresso sobre quando o negócio com Moscou ocorreu.

"Trump sabia, dirigiu as negociações em Moscou durante a campanha e mentiu sobre isso", afirma Cohen, que deve começar a cumprir pena de três anos de prisão a partir de 6 de maio. "Ele mentiu sobre isso porque nunca esperou vencer as eleições. Ele também mentiu sobre isso porque obteve centenas de milhões de dólares no projeto imobiliário em Moscou."

O presidente também teria feito comentários racistas contra negros, segundo o ex-advogado, que cita uma ocasião em que ambos estavam em um bairro pobre de Chicago, e o republicano comentou que apenas negros conseguiam viver daquele jeito. "E ele me disse que negros nunca votariam nele porque eram muito burros."

Na terça, a porta-voz da Casa Branca, Sarah Sanders, afirmou, em comunicado, que Cohen não era confiável por ter se declarado culpado por mentir ao Congresso.

Nesta quarta, Trump acusou o ex-advogado de mentir, em declarações em uma rede social. "Michael Cohen foi um dos muitos advogados que me representaram [infelizmente]. Ele tinha outros clientes também", afirma o presidente, que lembra que Cohen perdeu o direito de advogar pela Suprema Corte estadual por mentir e por fraude.

"Ele fez coisas ruins não relacionadas a Trump. Ele está mentindo para diminuir seu tempo na prisão. Usando o advogado da Trapaceira [em referência a Hillary]", complementou.


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