Voluntário estreia no projeto Praia Acessível em homenagem à esposa com deficiência

Neste domingo (14), Antônio Martins de Oliveira prestou o primeiro serviço na ação após o falecimento de Roseli Alves

Legenda: Conduzindo diferentes pessoas ao mar, Antônio Martins ressignifica a saudade da esposa
Foto: Foto: Isanelle Nascimento

É difícil afirmar com precisão se é lágrima ou água do mar o que sai dos olhos de Antônio Martins de Oliveira quando se despede das ondas e fala da esposa. “A maior felicidade dela era estar aqui”, conta, observando a extensão azul da Praia de Iracema. “Por causa da deficiência que tinha, passou um tempo sem ver o mar; mas, quando voltou, teve felicidade de novo”.

O retorno de Roseli Alves de Oliveira ao oceano aconteceu há três anos, logo no início do  projeto Praia Acessível em Fortaleza. Havia mais de uma década que estava afastada das águas, paixão maior. De lá para cá, o marido recorda, os momentos foram de intensidade e alegria para a mulher, acometida de várias complicações nos ossos que imobilizaram os membros inferiores.

Legenda: Cuidado expresso em cada gesto quando acompanhando os visitantes no mar
Foto: Foto: Isanelle Nascimento

Se a trajetória parece ser só saudade, hoje também virou inspiração. Após dois meses do falecimento da companheira, Martins transformou a falta em fonte de apoio para outras pessoas participantes do projeto. Neste domingo (14), estreou como voluntário do Praia Acessível, dando suporte a bombeiros e salva-vidas – que, neste mês de julho, estão diariamente prestando serviços no segmento na Praia do Lido/Crush, de 9h às 13h.

“Volto porque é um meio de estar atuando, ajudando o povo também. Sinto que estou fazendo ela feliz onde está agora. Com certeza gostaria que eu ajudasse as outras pessoas também. Vivia com dores fortíssimas, mas tinha a capacidade imensa de sorrir. Era o mesmo sorriso que eu vejo agora em quem estou ajudando”, emociona-se.

Superações

Raquel Santos Nogueira, de 11 anos, foi uma das visitantes que receberam o suporte de Antônio Martins no mar neste domingo. Veterana no projeto, é a primeira vez que ela vai à praia neste período de férias e, conforme sublinha o pai, é toda satisfação por poder retornar ao lar azul

“Se ela pudesse, passava o dia inteiro”, ri o aposentado Gilgledson Nogueira. “Raquel nasceu com paralisia cerebral e, desde que conhecemos a ação, a trazemos para o mar. Enquanto pai, é de uma alegria imensa poder ver que ela está fazendo o que gosta”.

Legenda: O mar é ambiente favorito de Raquel Santos Nogueira que, com ajuda do pai, reativa sensações no mar
Foto: Foto: Isanelle Nascimento

Quem também não segurou a emoção de estar de novo nos braços do oceano foi a autônoma Elizeth Alves, 47 anos. Outrora tendo participado no Cumbuco, desta vez ela encarou o entrar no mar de forma mais tranquila e dá dimensão do que representa a iniciativa. 

“Fui vítima de um acidente há 28 anos que imobilizou meus membros inferiores. Por isso, até hoje, uso uma sonda, tenho ainda muitas dificuldades. Mas poder estar na água de novo é muito maravilhoso. Sensação indescritível”, considera.

Em números, Luiz Carlos Machado, coordenador do projeto, confere a proporção da iniciativa. No ano passado, foram 298 atendimentos apenas em julho; por sua vez, levando em consideração desde o começo das atividades, 5.500 pessoas foram assistidas. 

Em média, cada um fica até 20 minutos no mar, acompanhado de bombeiros, salva-vidas e voluntários.

“Somos a estação que mais trabalha no ano no Brasil, com uma média mensal de 165 atendimentos. Para a gente, é uma satisfação gigante saber que proporcionamos um pouco de alegria para as pessoas com mobilidade reduzida. Chegamos aqui para ajudá-los e acaba que eles é que ajudam muito a gente”.

Serviço
Projeto Praia Acessível
Todos os dias de julho, de 9h às 13h, na Praia do Lido/Crush, em frente ao Centro Cultural Belchior (Rua dos Pacajús, 123). Nos outros períodos do ano, de quarta a domingo, no mesmo horário. 


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