Violência assusta população e prejudica comércio em Fortaleza e Região Metropolitana

As vendas em todos os setores do comércio apresentaram uma queda de 90% desde que os atentados criminosos iniciaram, estima o Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza (Sindilojas)

Quem mora em Fortaleza ou na Região Metropolitana, onde normalmente há movimentação por conta do agito do comércio e dos bairros residenciais, percebe que em alguns pontos estão praticamente desertos devido aos ataques criminosos que estão acontecendo desde a última quarta-feira (2). 

Em ruas do Grande Bom Jardim, nenhum cliente. Muitas lojas não abriram nesta terça feira (8), outras só funcionaram somente até o meio-dia. O dono de uma ótica localizada no bairro, que não quis ser identificado, diz que teme pela segurança.

"A informação eu recebi dos grupos de conversa dos comerciantes aqui no bairro foi de que todo mundo deveria fechar. Disseram que tinha uns homens em um carro branco dando esse recado sob ameaça. Não vieram na minha loja, mas não quero esperar para ver o que pode acontecer", explica.

Logo no início da tarde, a Rua Geraldo Barbosa, no Bom Jardim, estava praticamente deserta. De acordo com os moradores, o Posto de Saúde Argeu Herbster, que fica no bairro, também foi fechado após o meio-dia. Eles relataram que alguns homens teriam ameaçado atacar o local, caso o funcionamento não fosse suspenso.

Pacientes que vieram de longe e não sabiam da situação deram viagem perdida. Alguns estavam com consultas marcadas há meses. Por causa do medo, a população prefere não falar. O jeito é aguardar a situação ser resolvida. 

No Centro de Fortaleza, o cenário se repete: lojas vazias e sem clientes, fato que representa um prejuízo aos comerciantes. A violência parece ter afastado muita gente dos estabelecimentos que existem no local. As ruas e galerias estavam com movimento abaixo do normal para uma terça-feira. 

Na Rua Castro e Silva, no Centro, a reportagem encontrou muitas lojas fechadas. Das 20 que funcionam em um centro comercial, apenas oito abriram as portas. A administração diz que muitos comerciantes foram trabalhar nesta terça-feira (8), mas logo depois fecharam as portas e foram embora.

O vendedor Pedro Dantas afirma temer abrir o estabelecimento que trabalha atualmente por conta dos ataques criminosos que estão acontecendo na capital cearense. Ele diz que, para não ficar no prejuízo, abre o comércio “na cara e na coragem, mas com bastante medo por causa da violência". 

Prejuízo 

O Sindicato do Comércio Varejista e Lojista de Fortaleza (Sindilojas) estima uma queda de 90% nas vendas em todos os setores do comércio do Centro desde o início dos atentados. Por causa disso, teve comerciante que preferiu nem continuar trabalhando hoje.

Em Caucaia, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), pelo segundo dia consecutivo, comerciantes nem arriscaram abrir lojas. Quem precisou de algum serviço, ficou na mão. A segurança no local foi reforçada, mesmo assim o clima é de medo entre os moradores. 

No Eusébio, também na RMF, as ruas estão praticamente desertas. O Centro do Município ficou vazio durante a tarde. Parecia um feriado. As lojas chegaram a abrir no início do dia, mas também fecharam as portas na hora do almoço. Apenas algumas farmácias funcionaram. Até mesmo as lojas que ficam ao lado da Secretaria da Segurança estavam fechadas.  

Assim como na região do Bom Jardim, muitos moradores estão assustados e não quiseram dar entrevista. O lojista que insistiu em abrir, fechou quando viu a equipe de reportagem do Sistema Verdes Mares. A movimentação grande mesmo só na delegacia local. Havia várias patrulhas de serviço. 

O posto de saúde do Eusébio também estava fechado, assim como o mercado central. A reportagem conversou com moradores da cidade, que falaram que várias unidades de saúde estão na mesma situação. Durante a tarde, o atendimento médico foi realizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), que lotou. 


 


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