Universidade Federal cede equipamentos para ampliar testes de coronavírus no Cariri

Laboratório e itens foram disponibilizados para realização de exames

A Faculdade de Medicina da UFCA, em Barbalha, disponibilizou um laboratório e dois equipamentos para testes da Covid-19, o RT-PCR e termociclador, que fazem o diagnóstico molecular. “Um qualifica e o outro quantifica. Fazem testes moleculares capazes de identificar microrganismos. Aqui, é usado como rotina para pesquisa de outras doenças infecciosas”, explica o diretor da Famed, Cláudio Gleidiston Lima.

Porém, a Famed precisa de, pelo menos, duas pessoas indicadas pelo Lacen para ajudar e emitir os laudos, já que o Covid-19 se trata de uma doença de notificação compulsória. “Só o Estado pode fazer isso”, explica Cláudio. Para realizar, a UFCA enviou um ofício à Sesa com a lista de insumos necessários para realizar os testes na região do Cariri e descentralizar as demandas. Entre os materiais pedidos, estão o primers — ou iniciadores, necessários para a replicação de RNA e DNA, e reagentes. “São um pouco caros”, explica o professor.  

A Sesa ainda não respondeu o ofício encaminhado pela UFCA, segundo o diretor. Caso os diagnósticos possam ser feitos na instituição, Cláudio acredita que terá capacidade para realizar até 46 testes a cada 12 horas. “Se tiver os insumos, em 24 horas podemos liberar pouco mais de 80 resultados”, enfatiza. Além disso, a instituição dispôs ajudar com infectologistas que trabalham na universidade. “Alguns que são referência no Brasil”, ressalta.

O diretor da Famed acredita que o grande entrave é pode ser a preocupação do Lacen em descentralizar a rotina de diagnósticos. “O que a gente está abrindo é nosso suporte para o Estado ter mais fôlego e as amostras não irem para Fortaleza”, justifica Cláudio. Outra impasse é que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Saúde sugerem que as manipulações destas amostras do vírus sejam feitas em laboratórios de nível 3 de segurança. A UFCA é nível 2. “A maioria também é assim. Nós estamos nos preparando, vamos reformá-los. Mas poucos nos Brasil são nível 3”, completa o professor.  

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