Unidades de saúde terão informações integradas em até dois anos

Os dados de pacientes em prontuários e históricos serão compartilhados em mais de 2.300 estabelecimentos de saúde no Ceará, visando à maior agilidade no atendimento e à identificação de comorbidades em regiões do Estado

Legenda: Plataforma de Modernização promete agilizar atendimentos e reduzir filas com integração de informações entre unidades básicas de saúde, hospitais apoiados, policlínicas, CEOs e UPAs
Foto: Foto: Honório Barbosa

A saúde pública no Ceará vai avançar na era da tecnologia. É o que promete a Plataforma de Modernização da Saúde, iniciativa apresentada ontem pelo Governo do Estado e que deve receber R$ 600 milhões em investimentos até 2023. Os recursos devem patrocinar a integração dos sistemas de informação em saúde de todo o Estado, permitindo que qualquer unidade possa acessar os dados do histórico de pacientes, independentemente do município onde eles sejam atendidos. A estimativa é que o modelo esteja funcionando em até dois anos, conforme anunciou o governador Camilo Santana.

O prazo leva em consideração uma rede formada por 2.165 unidades básicas de saúde, 66 hospitais apoiados, 36 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), 25 centros de especialidades odontológicas e 19 policlínicas (com três para serem inauguradas). Embora pareça trabalhoso, o processo deve ser facilitado pelo Cinturão Digital, que já oferta internet de banda larga a cerca de 130 municípios.

"Isso ajuda na eficiência, na agilidade e no tempo do atendimento ao paciente. Onde não tiver computador, nós podemos fornecer à unidade", garantiu o governador sobre o chamado Registro Eletrônico de Saúde (RES). O objetivo é permitir que todo o percurso do paciente seja registrado, colaborando na alimentação de dados sobre a rede de Atenção Primária de Saúde.

A informatização já foi iniciada, de acordo com o secretário estadual da Saúde, Carlos Roberto Martins Rodrigues Sobrinho, o Dr. Cabeto. Para ele, a integração dos prontuários eletrônicos uniformiza processos e permite que os dados embasem decisões de gestão pública sobre as políticas de saúde.

Acompanhamento

Outra forma de modernização envolve um novo projeto de distribuição de medicamentos. O paciente que buscar remédios para hipertensão e diabetes na rede de 3.200 farmácias do Ceará terá um acompanhamento digital, permitindo "estratificar riscos da população" e "fazer georreferenciamento" das doenças, explica o secretário.

A ideia é que todas as informações tenham acompanhamento em tempo real. No caso dos hospitais, também serão verificados o período de permanência e o ordenamento de ocupação de leitos. Após a implementação do sistema no Estado, o Hospital Geral de Fortaleza (HGF) já apresentou redução do tempo médio de permanência na emergência de 16 dias, em janeiro deste ano, para oito dias, em julho.

Além dos investimentos em tecnologia, a Plataforma de Modernização mira na reforma e ampliação de diversos estabelecimentos de saúde. A medida inclui os 37 Hospitais-polos do Estado. Segundo o Governo, a medida pode "ampliar a capacidade de realização de cirurgias de trauma e cirurgias gerais de maior complexidade".

Acesso

Com a inauguração do Hospital Regional do Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte, previsto para 2020, as cinco macrorregiões de Saúde - Fortaleza, Cariri, Sertão Central, Norte e Vale do Jaguaribe - devem contar com unidades de referência de alta complexidade, segundo o secretário da Saúde. "É da ideia que todos os hospitais regionais atendam a 85% da demanda de cada macrorregião. Com essa aproximação da atenção básica, reduzimos as distâncias e melhoramos o acesso".

A intenção é se desvencilhar cada vez mais de um modelo que vigorou até meados de 2010, quando a Capital concentrava praticamente todas as demandas complexas. Em 2014, surgiram as macrorregiões e o esforço de "se levar a saúde para a ponta". Em 2023, projeta Cabeto, busca-se uma rede ainda mais complexa com diagnóstico, monitoramento e planejamento, inclusive em regionais menores, que agregam cerca de 10 municípios.

Critérios

Para a defensora pública geral do Estado do Ceará, Mariana Lobo, a Plataforma é positiva "principalmente do ponto de vista da transparência", destacando a central de regulação que estabelece critérios objetivos para encaminhamentos. "Essa questão da plataforma integrada nos ajuda a avaliar a demanda que chega porque, para nós, é muito complicado compreender as especificidades", explica.

Segundo a defensora, grande parte das demandas da Defensoria é da área da saúde. A maioria é sobre medicamentos e pedidos de leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTI); estas, em média, têm de três a cinco pedidos por dia. No entanto, há três anos, uma parceria entre o órgão e o Governo já reduziu a judicialização em 36%.

"O grande objetivo de toda essa plataforma é garantir acesso rápido da população. Ela vai dar ganho de eficiência e tempo. Queremos reduzir ou acabar com as filas e acolher bem o cidadão. Ele vai saber onde pode ser feito seu atendimento, e não necessariamente precisa ser num hospital de grande porte", disse o governador Camilo Santana.

César Cals será transferido para o Itaperi até 2023

Os serviços do Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC) serão transferidos para o novo Hospital Universitário da Universidade Estadual do Ceará (Uece), previsto para começar a operar em 2023.

A construção foi anunciada na manhã de ontem no Palácio da Abolição, na Capital. A mudança implicará no acréscimo de 400 vagas de internação, totalizando aproximadamente 700, segundo o Governo do Estado. 

As obras devem ter início ainda neste ano, mas enquanto o novo equipamento não fica pronto, o atendimento permanece no endereço atual, no Centro de Fortaleza. A obra integra um pacote de R$ 600 milhões que serão investidos para modernizar a saúde pública do Ceará. 

A mudança para a nova unidade acontecerá pela incapacidade de ampliação do atual HGCC, que funciona em um prédio de 90 anos, o mais antigo da rede pública estadual.

O edifício será utilizado para outro serviço de saúde, mas o Estado ainda não definiu qual. A expectativa é de um aumento na oferta de serviços. Atualmente, o HGCC disponibiliza 47 especialidades e subespecialidades médicas e seis especialidades não médicas no atendimento ambulatorial. De janeiro a julho de 2019, foi atendida uma média de 5.985 pacientes por mês. 

O anúncio da nova unidade faz parte do Plano de Modernização da Saúde, pacote com medidas que visa a melhorar o atendimento, com a adoção de uma postura institucional mais humanizada e o investimento na qualificação profissional. Os projetos procuram fortalecer o vínculo entre o usuário do sistema público de saúde e o profissional.

Uma das medidas já implementadas do pacote é o IntegraSUS, plataforma virtual que possibilita ao o acesso aos índices de desempenho da saúde. 



Redação 03 de Agosto de 2020