Transplantes voltam a crescer após queda no pico pandêmico no CE

Os registros de procedimentos em setembro deste ano já superaram ao de igual período de 2019. A tendência é que as taxas de procedimentos aumentem nos próximos meses, segundo a Secretaria da Saúde do Ceará

TRANSPLANTES
Legenda: O Ceará adota medida de teste para a Covid-19 antes mesmo da obrigatoriedade
Foto: Yago Albuquerque

Após o pico da curva da Covid-19, o Ceará voltou a apresentar alta mensal nos procedimentos de transplante de órgãos e tecidos. Em setembro, por exemplo, o registro de transplantes foi de 171, enquanto em igual período de 2019 foram 99 registros. Os dados são da Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa).

De acordo com a Pasta, a pandemia do novo coronavírus foi a grande responsável pelas baixas entre os meses de março a agosto deste ano, quando foram feitos 217 procedimentos. Se comparado a 2019, durante o mesmo recorte de tempo, 809 transplantes foram realizados. No entanto, como em setembro, o último mês de outubro também evidencia um retorno à estabilidade, com 149 cirurgias realizadas.

"Em janeiro e fevereiro tivemos uma média de 135 transplantes, cada mês. São taxas muito boas. Depois, veio a crise e baixou o número de procedimentos. E então desde julho a gente observa um retorno gradativo de doações e transplantes, o que ficou evidenciado nos últimos dois meses passados", ressalta a coordenadora da Central de Transplantes do Estado, Eliana Barbosa,

O retorno das altas taxas de transplantes está associado à campanha de doações feita em setembro, segundo Eliana. "Tivemos muitas lives, palestras e divulgação. Sempre após uma intensificação há esse tipo de retorno". A coordenadora reforça ainda que "tudo está sendo feito com toda uma vigilância e segurança, também não temos nenhum relato de transplantado que pegou Covid-19 oriunda do doador". A tendência, conforme a coordenadora, é que os números de doadores e de transplantes em si cresçam ainda mais durante os próximos meses.

Em relação à região nordeste, o presidente da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), José Huygens Garcia, aponta uma situação semelhante de queda e retomada. "Foi a região que mais sofreu. O pico da pandemia nessa foi muito precoce, isso contribuiu para esse impacto. Outra coisa que influenciou foi a suspensão dos transplantes renais".

Segurança

Mesmo diante do momento de crise, Eliana Barbosa frisa que no Ceará não houve uma suspensão por completo das cirurgias. A aplicação de testes do tipo RT-PCR, antes mesmo de ser obrigatória pelo Ministério da Saúde, foi uma das medidas adotadas para garantir segurança e não interromper os procedimentos. Transplantes de fígado, córnea e medula estão entre os procedimentos realizados em meio à pandemia de Covid-19 no Estado.

"Nós, equipe transplantadora, pesamos os riscos e os benefícios. No transplante renal, por exemplo, existe a hemodiálise que pode ser uma medida paliativa até o momento do transplante. Então nós suspendemos esse tipo. Já os casos de urgência com transplante de córnea, por exemplo, nós temos que fazer o procedimento porque o paciente corre o risco de perder o olho por completo, além dos casos de risco de morte", explica.

Conforme a coordenadora, as equipes também optam por fazer o exame de Covid-19 nos pacientes receptores, "mesmo que não haja obrigatoriedade".

Demandas

Segundo os dados repassados pela Sesa, o Estado ainda tem 940 pacientes em fila de espera para transplantes, até o momento. Dentre os procedimentos com mais demanda está o transplante de córnea, seguido pelo de rins. "Nós temos uma captação muito boa para a córnea, a fila é zero, o que significa que nos últimos três meses o número de transplantes ultrapassa o número de pacientes em fila", diz Eliana Barbosa.

O tempo médio de espera para o paciente receber a córnea varia de acordo com as orientações dos cirurgiões. "Às vezes ele precisa usar uma técnica específica ou até mesmo o tecido que nós temos é novo, e o paciente precisa de um mais velho. Quando não temos receptores de córnea, nós enviamos para outros estados para ajudar outros pacientes", explica a coordenadora da Central de Transplantes.

Em relação aos órgãos, "é organizado por critérios de compatibilidade". "O paciente pode entrar hoje na fila para receber um transplante de rim, com cerca de 700 pessoas, e amanhã já ser contemplado, pois a distribuição é feita pela compatibilidade de código genético do doador e receptor. Quanto mais parecido é o código genético, menor é o risco de rejeição", esclarece.

Quero receber conteúdos exclusivos da cidade de Fortaleza