“Todo amor envolve escolhas: a nossa foi de ser pai e filho”, diz cearense que “adotou” enteado

Para Victor Veras, de 37 anos, e João Gabriel, de 15, relação paterna vai muito além dos laços sanguíneos – é construída na presença e no respeito diários

Legenda: Companheirismo de pai e filho vai além da necessidade de laços sanguíneos
Foto: Arquivo pessoal

A relação entre Victor Veras, 37, e João Gabriel, 15, veio à luz por escolha dos dois. O adolescente é filho biológico da esposa de Victor, Renata Vasconcelos, e “entrou na vida” do servidor público ainda pequeno, quando tinha 1 ano e 8 meses. De lá para cá, o tempo foi suficiente para consolidar a relação deles – que se reconhecem como pai e filho, e não há o que prove o contrário.

Segundo Victor, o laço com João Gabriel se estreitou à medida em que o relacionamento com a mãe do menino avançava e em que o contato do pequeno com o pai biológico deixava de existir. “Ele me chamava de um apelido carinhoso, que parecia significar essa paternidade que ele queria, mas não podia exercer porque existia outra pessoa”, relembra. Com o amadurecimento da família, o laço se tornou inevitável.

“Quando você se relaciona com alguém, o filho faz parte daquela pessoa. Eu poderia não ter criado afeto, ter me distanciado. Mas todo amor envolve uma escolha, de amar e se deixar ser amado. E nossa relação foi de escolhas: minha e dele”, sentencia o cearense.

A paternidade, antes de conhecer a família, não integrava os planos de Victor, quando adolescente – era, aliás, uma ideia desprezada. “Eu dizia que nunca seria pai, acabou que hoje eu sou”, sorri. “Me enxerguei pai quando tive a consciência de que meus atos e as minhas opiniões seriam um peso muito grande pro João Gabriel. Aí veio aquela vontade de ser uma pessoa melhor pra ele. Hoje, ele é meu filho. Apresento ele assim, e é tão natural que às vezes a gente até esquece que não tem laço de sangue”, emociona-se o servidor público.

Legenda: João Gabriel e Victor Rafael, filho e pai, se conheceram quando o pequeno tinha pouco menos de dois anos de idade
Foto: Arquivo pessoal

Do encontro entre as almas de pai e filho até aqui, já são 14 anos – e ainda enfrentando tabus sociais. “Ainda surge a pergunta ‘ah, mas você não pretende ter um filho seu mesmo?’, que parece inofensiva, mas é preconceituosa. É como se, no fundo, não fosse uma relação verdadeira. Mas se você tá tranquilo no seu papel, no que você significa pra pessoa, não existe constrangimento”, pontua Victor, que, por outro lado, também vivencia situações divertidas.

“Quando as pessoas não conhecem o contexto, dizem que acham o João Gabriel mais parecido comigo do que com a Renata, que ele tem mais o meu jeito. Uma vez ele entrou numa loja de roupas, entrei depois e procurei por ele. O vendedor apontou, dizendo que só poderia ser ele, porque ‘tinha o meu jeito todinho’. Isso mostra que nem ser parecido com alguém depende de questões genéticas”, ensina.

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Redação 23 de Setembro de 2020