Tempo de resposta do Samu melhora 30% após pico da pandemia

O intervalo entre o pedido de ajuda e a chegada da equipe ficou uma hora mais rápido em casos mais graves. Diretor geral explica que paramentação dos profissionais e maiores distâncias atrasaram atendimentos no pico

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Legenda: Entre março e outubro deste ano, o Samu 192 Ceará realizou 53.245 atendimentos
Foto: Camila Lima

A pandemia da Covid-19 aumentou a pressão não só sobre as redes de saúde fixas, mas também nas móveis. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) Ceará precisou adaptar os acolhimentos corriqueiros a pacientes de convulsões e acidentes, por exemplo, à chegada do novo vírus. O tempo de resposta subiu entre abril e junho, meses de maior ação da pandemia no Estado, mas voltou a cair com a retração de casos. Comparando maio a setembro, a agilidade do serviço melhorou mais de 30%.

No caso das Unidades Básicas de Saúde (UBS), aumentou em 32,7%. Em maio, o tempo médio da chegada da ambulância à localização do paciente chegou a 55 minutos, o maior do ano; já no mês passado, caiu para 37 minutos. O valor fica próximo ao do trimestre de janeiro a março, com registro médio de 35 minutos.

Já o ganho nas Unidades de Saúde Avançadas (USAs) - consideradas Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs) móveis - foi de 34,7%. Em maio e junho, a média foi de 194 minutos, ou três horas e 14 minutos. Em setembro, o intervalo caiu para 126 minutos. Ele é inferior a fevereiro e março (140 minutos), mas superior a janeiro (117 minutos).

Segundo Ana Paula Lemos, presidente interina do Conselho Regional de Enfermagem do Ceará (Coren-CE), a demora dos atendimentos durante a fase mais pesada da pandemia tem a ver com a necessidade de higienização constante dos veículos e a troca de paramentos e equipamentos de proteção dos profissionais de saúde. Ela afirma que alguns profissionais chegaram a se afastar das atividades.

"Havia medo da contaminação dos profissionais que ficaram na linha de frente, diretamente expostos. O Samu teve um trabalho gigantesco para fazer a remoção de pessoas que eram diagnosticadas em UPAs, até mesmo na atenção básica, para levar aos hospitais", explica. "Muitas vezes, ainda eram casos não confirmados porque o exame estava demorando a sair. Se era caso suspeito, não poderiam pegar outro paciente antes de desinfetar. Foi um trabalho muito exaustivo para todos, tanto físico como psicológico".

Descentralização

Ao todo, o Ceará tem bases descentralizadas nas cinco Regiões de Saúde, de acordo com a Secretaria da Saúde do Estado (Sesa). Entre março e outubro deste ano, o Samu 192 Ceará realizou 53.245 atendimentos, sendo 5.165 de pacientes com suspeita ou confirmação de Covid-19. O número representa quase 10% do total. Para o diretor geral do Samu Ceará, coronel João Vasconcelos Souza, se o serviço não tivesse chegado aos 184 municípios em 2020, "a situação ia ser muito feia".

"Deixamos o serviço universalizado e isso nos ajudou muito. Estamos tendo uma baixa bem substancial agora, mas o Samu teve um papel muito forte no pico, nas transferências e atendimentos", ressalta. Segundo ele, qualquer um dos 163 veículos disponíveis no Estado poderia atender a casos de Covid-19, desde que passasse por uma limpeza anterior.

O coronel também atribui a maior demora no período crítico à paramentação dos profissionais e às longas distâncias, "já que o atendimento ficou concentrado em alguns hospitais". Ele confirmou que alguns profissionais foram afastados por contaminação.

Em Fortaleza, onde o serviço é gerido pela Prefeitura, a Secretaria Municipal da Saúde (SMS) informa que 6,6% dos atendimentos entre março e setembro foram específicos para casos suspeitos e/ou confirmados de Covid-19. Isso representa 2.240 das mais de 33 mil ocorrências. Sete ambulâncias e dois transportes sanitários foram alocados para realizar esses atendimentos.

A Pasta, porém, não informou qual foi o tempo médio de resposta. Na Capital, o Serviço conta com 540 profissionais, entre médicos, enfermeiros, socorristas, técnicos de enfermagem e administrativo. A frota atual é de 25 ambulâncias ativas, 10 motolâncias, além do Bike Vida, que presta atendimento na Avenida Beira-Mar, distribuídos em nove bases descentralizadas, "em todas as Regionais e em locais estratégicos da cidade".

Demora

Passada a pior fase na Capital, Ana Paula Lemos, do Coren-CE, destaca o crescimento de casos em cidades do Interior do Estado, onde o papel do Samu também foi relevante no socorro. "Muitas instituições não tinham um suporte para garantir assistência adequada aos pacientes. Os profissionais precisaram remover esses para cidades onde havia convênio ou até mesmo para Fortaleza. Houve uma quilometragem maior e um desafio maior", conta.

A gestora observa, a partir dos relatos de profissionais da categoria, que, como parte das ambulâncias foi destinada à Covid-19, "acabou havendo uma demora também para os demais pacientes". Atualmente, ela acredita que o número de atendimentos tenha reduzido e "consequentemente tenha uma agilidade maior", com base na redução de casos vivenciada nos últimos três meses.

O serviço presta socorro à população nas residências, locais de trabalho e vias públicas, 24 horas por dia. Com uma equipe multidisciplinar, atua em várias frentes, seja para atendimento obstétrico, psiquiátrico, lesão por arma de fogo ou intoxicação. Além disso, atua no atendimento médico de urgências psiquiátricas e transferências hospitalares de pacientes graves que necessitam de remoção em UTI móvel entre os municípios.

"Como o Samu está bem distribuído no Estado, ele consegue dar vazão a essas situações, embora o atendimento da Covid seja mais longo. Os médicos reguladores têm um cuidado muito grande para não deixar aquele atendimento cair. Além disso, a Covid também reduziu o número de acidentes (de trânsito) e outras situações porque as pessoas ficaram mais em casa", observa o coronel João Vasconcelos. Conforme o gestor, o Samu vem intensificando os núcleos de ensino profissional, de forma on-line, para que os "samuzeiros" aprendam com a conduta dos próprios colegas de trabalho.

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