Sono insuficiente pode gerar problemas de memória e alterações no humor, aponta especialista

Durante a pandemia do novo coronavírus, diversas pessoas relatam dificuldades para dormir; especialista aponta impactos

Procurar um posicionamento melhor na cama é recomendado para dormir bem
Legenda: Procurar um posicionamento melhor na cama é recomendado para dormir bem
Foto: Davi César

Com a pandemia do novo coronavírus, diversas pessoas vêm enfrentando alterações no sono. Essa realidade chegou logo no início para Francisco Magalhães, de 21 anos. O estudante de Medicina conta que há dias que só consegue dormir depois de 4h e, por isso, acaba acordando depois meio-dia. “Com o passar dos dias, isso foi se intensificando. O sono não vem, você acaba gastando menos energia dentro de casa”, diz ele que nunca passou por episódios parecidos. 

Com a mudança brusca nos horários, Francisco sente os impactos na produtividade. “Afetou muito meu rendimento durante o dia, acabo perdendo muito tempo e prazos. E isso afetou tanto minhas atividades dentro de casa, como limpeza, quanto as da faculdade”.  

Para tentar regular o sono, o estudante tem recorrido a medidas extremas e já tentou ficar um dia inteiro acordado para aumentar o cansaço. “Tende a dar certo, mas com pouco tempo volta ao que estava”.  

Retornando parcialmente à rotina que levava antes da pandemia, Francisco revela estar preocupado, pois o sono ainda não se regularizou. “Posso ter o dia todo com atividades fora de casa, mas só consigo acordar depois de 12h e isso me atrapalha muito, a preocupação é real”, afirma. 

A falta de sono também tem sido um problema para João Gabriel Freitas, de 22 anos. Além de dormir em horários da madrugada, o estudante de Publicidade enfrenta noites mal dormidas ao acordar diversas vezes. “Mesmo que eu faça minhas obrigações do dia e fique cansado, eu não sinto sono. Minha cabeça demora muito a desligar, fico muito acelerado”, relata.  

Assim como Francisco, João Gabriel tem visto o rendimento ser afetado. “Se tem algo que afeta meu rendimento no dia a dia, é o fato de me sentir fatigado”. Isso inclusive tem causado ao estudante preocupação.  “O meu maior receio é que eu continue tendo péssimas noites de sono e ter de trabalhar, estudar e continuar com as aulas de dança. Tenho medo de perder a hora e de que isso afete minha produtividade”, explica.  

Consequências  

Pedro Felipe de Bruin, professor da Universidade Federal do Ceará (UFC) e coordenador do Laboratório de Sono e Ritmos Biológicos da UFC, explica que o sono de qualidade é um pré-requisito fundamental à saúde e ao bem-estar individual, já que melhora as defesas do organismo.  

Essa necessidade varia com a idade. Em média, um indivíduo adulto normal deve dormir entre 7 e 9 horas num período de 24 horas, enquanto as crianças em idade escolar devem dormir entre 9 e 11 horas e os adolescentes, entre 8 e 10 horas. 

“Sono insuficiente ou de má-qualidade traz prejuízos à memória, pensamento complexo e o processo de tomada de decisões. Além de influenciar negativamente o humor, favorecendo o aparecimento de irritabilidade e ocasionando ou agravando sintomas depressivos”, pontua sobre as consequências.  

De acordo com o professor, série de fatores são responsáveis pelo sono de má qualidade durante a pandemia, entre eles a desorganização da rotina diária, o próprio distanciamento social, a ansiedade, o uso de aparelhos eletrônicos e falta de luz natural, fundamental para o funcionamento adequado do relógio biológico. 

“É necessário que todos os indivíduos, durante este período de pandemia, tentem manter uma rotina regular. Para obter um sono adequado e preservar a ritmicidade normal do nosso relógio biológico, é muito importante ir para a cama e levantar-se em horários consistentes, realizar exercícios físicos regularmente e tomar banhos de sol, sobretudo no período da manhã”, pontua.  



Redação 02 de Agosto de 2020