Sete linhas de ônibus são excluídas e param de circular na Capital

Novas ligações serão criadas com base nos resultados da Pesquisa Origem-Destino 2019

Escrito por Felipe Mesquita, felipe.mesquita@svm.com.br

Metro
Legenda: Algumas das linhas que ligavam os bairros ao Centro foram excluídas e os passageiros precisarão passar por terminais
Foto: Thiago Gadelha

Pelo menos sete linhas de ônibus não estão mais disponíveis aos usuários do transporte coletivo de Fortaleza. Conforme a Secretaria Municipal de Conservação e Serviços Públicos (SCSP), os veículos que fazem os itinerários 016, 094, 226, 333, 387, 833 e 363 foram retirados de circulação. Os motivos para a supressão são múltiplos, mas o principal deles é a otimização do sistema de tráfego para o novo desenho urbano da cidade.

No caso das linhas excluídas por ter sobreposição, os passageiros têm outras opções com o mesmo trajeto, sem interferência no deslocamento. Quem usava a 016 (Cuca Barra/Papicu), pode embarcar pelas 052, 051, 092 ou 755. A 094 (Expresso/Parangaba/Aldeota) faz o mesmo percurso da O44, assim como a 226 (Expresso/Ant.Bezerra/Messejana) que foi substituída pela 222.

Já as demais (333, 387, 833 e 363) são consideradas linhas radiais, isto é, ligam o bairro direto ao Centro. Agora, com a mudança, os usuários irão fazer um transbordo a mais. Ao invés de ir direto para o destino final, eles precisarão ir antes ao terminal próximo da área do bairro.

Os usuários, porém, citam outros itinerários que também tiveram o fluxo interrompido. Segundo a auxiliar administrativo Verônica Barbosa, 52, a linha 132 (Avenida Leste Oeste/Centro) já não passa mais na Barra do Ceará, onde mora, o que a obrigou a usar outras alternativas de locomoção para contornar o problema no deslocamento.

"Parou tudo no começo da pandemia e eu precisei continuar me deslocando. Por causa disso, para chegar no serviço, eu tenho que usar aplicativos de transporte. É um custo maior, impactou muito a minha rotina”, indica. Verônica informa ainda que tentou buscar rotas diferentes no transporte público, mas logo desistiu por causa do tempo de espera na parada. “Tem rota que eu demoro uma hora e meia para chegar no Centro”, lamenta. 


Alterações

O engenheiro de transportes da SCSP, Victor Macêdo, explica que o período de reclusão domiciliar por conta da pandemia de Covid-19 forçou esses ajustes. "O perfil de deslocamento da cidade mudou muito, principalmente durante o isolamento social", cita. Além disso, a demanda pelo transporte público esteve em baixa. Atualmente, mesmo com o trânsito em 90% da média registrada antes do novo coronavírus, a procura pelos ônibus ainda está entre 45% e 50%.

"Antes da pandemia, Fortaleza tinha 319 linhas. A gente fez uma análise das linhas e 50% delas atendiam 80% da demanda, então a gente viu que existia uma sobreposição muito grande no nosso sistema. A pandemia veio para alertar a gente sobre isso e essa necessidade de torná-lo mais sustentável".

Em paralelo a este cenário, as alterações no modal também vêm sendo pautadas nos resultados da Pesquisa Origem-Destino, que coletou informações sobre a mobilidade urbana em 23 mil domicílios da Capital.

"A última pesquisa que a gente teve foi em 1996. De lá pra cá, a cidade mudou muito e a lógica de integração também.  Antigamente as pessoas só conseguiam integrar dentro dos terminais, hoje em dia com o bilhete único o usuário pode integrar em qualquer ponto da cidade. Isso fez com que a gente precisasse redesenhar o nosso sistema", avalia Victor Macêdo.

Além da suspensão das linhas, "outras estão sendo unificadas e outras criadas", pondera o engenheiro, sem detalhar as alterações no modal. Contudo, ele adiantou que a Pasta tem pensado em novas rotas com base nos dados da pesquisa. "Por exemplo, ligações para a praia. A gente conseguiu identificar alguns desejos muito fortes de ligações turísticas, como a Praia do Futuro. A gente vai começar a implementar isso em linhas diferentes e com linhas adicionais", aponta. 

A Origem-Destino começou a ser executada em fevereiro de 2019. Após o período de coleta de dados, finalizado em dezembro último, a SCSP está na fase de diagnóstico para avaliar as necessidades relatadas pelos participantes da pesquisa. A última etapa deve ser iniciada no mês de setembro com a apresentação das propostas de  reordenamento urbano, a exemplo da nova expansão das ciclofaixas.