Semace interrompe obra de duplicação da CE-527 e pede licença ambiental para continuidade

A obra impacta diretamente no Rio Pacoti e em toda a zona de proteção ambiental, diz especialista

A Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) interrompeu, na última terça-feira (14), as obras de duplicação de 1,3 km da CE-527, que atingem o leito do Rio Pacoti. Para dar continuidade, a pasta exigiu autorização para supressão vegetal junto ao Sistema Nacional de Controle da Origem dos Produtos Florestais (Sinaflor). 

Por nota, a Casa Civil informou que o documento necessário já está sendo providenciado pela Superintendência de Obras Públicas (SOP).

No último domingo (12), passantes pelo local flagraram caminhões despejando areia no leito do rio. Em relação a este aterramento na área do Corredor Ecológico do Rio Pacoti, a nota enviada em conjunto com a SOP informou que no mínimo 15 metros do fluxo principal do rio está garantido. 

“A medida técnica é provisória e necessária para movimentar o equipamento (perfuratriz) que vai executar as fundações da nova ponte, sem barrar totalmente o leito”.

Conforme a SOP, em nota, o material será removido, após a conclusão da estrutura, e será realizada a recuperação ambiental.

Impactos

Segundo o professor Francisco Suetônio Bastos Mota, do Departamento de Engenharia Hidráulica e Ambiental da Universidade Federal do Ceará (UFC), a obra pode ocasionar em sérios impactos ambientais. “Teremos a perda da vegetação nativa e consequentemente o impacto sobre a fauna. Destaco ainda que a obra afetará a qualidade da água e isso pode trazer impacto para a vida aquática”, expõe.

Além dos riscos citados, o especialista alerta para o risco de transbordamento. “A obra pode reduzir a capacidade de escoamento da água na calha do rio. Com isso, pode ocorrer da água transbordar nos momentos de cheia”. A melhor opção para a obra, conforme o professor, seria por intermédio de uma ponte. “O que se espera é que a Semace estabeleça as condicionantes para que a obra possa ser feita com menor impacto ambiental possível”, conclui. 



Redação 02 de Agosto de 2020