Sem aulas presenciais desde março, universidades estaduais ainda finalizam ano letivo de 2019 no CE

Reitoria, Governo do Estado e Grupos de Trabalho definem calendário e matrículas em meio à pandemia. Uece têm previsão de início do novo semestre no dia 21 de setembro

Legenda: De acordo com a instituição, ainda não há definição sobre data para matrículas de novatos e veteranos ou decisão quanto à modalidade de ensino.
Foto: José Leomar

As universidades estaduais do Ceará, com atividades presenciais interrompidas desde março, por causa da pandemia do novo coronavírus, buscam finalizar o semestre de 2019.2 e estabelecer calendário alternativo. Na Universidade Estadual do Ceará (Uece), a previsão do início do novo semestre é para o dia 21 de setembro, e as matrículas devem acontecer pela internet.

“O que ficou decidido, ainda em março, é que as disciplinas que fossem possíveis concluir de forma remota, seriam. Já as que não, que esperassem o retorno presencial”, explica o coordenador do Grupo de Trabalho (GT) Acadêmico e pró-reitor de Extensão da Uece, Fernando Roberto Silva. Dessa forma, o período de 2019.2 seria concluído em abril deste ano.

 

Na Universidade Regional do Cariri (Urca), as atividades presenciais foram suspensas no dia 16 de março, mas três dias antes foi criado o Comitê de Monitoramento das Ações de Prevenção ao Novo Coronavírus da Urca, como informou a instituição por nota. “Desde o dia 3 de abril, o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão manteve o calendário acadêmico, suspendendo as atividades presenciais e possibilitando as atividades remotas”.

Sobre a finalização do semestre 2019.2 e o início do 2020.1, a nota citou apenas que “os GTs da Graduação estão debruçados sobre esse tema do calendário”. “O formato e a temporalidade do retorno gradual, com foco na segurança e na prestação continuada dos serviços, serão fundamentados nas orientações dos órgãos de saúde, Comitê de Monitoramento das Ações de Prevenção ao Novo Coronavírus da Urca, bem como nas normatizações com o Conselho Estadual de Educação (CEE)”.

Já na Universidade do Vale do Acaraú (UVA), o semestre 2020.1 foi ministrado de forma presencial por 17 dias até a suspensão das atividades, no dia 18 de março, de acordo com a instituição. Com o Plano de Retomada Gradual das Atividades Letivas da UVA, estão previstas duas etapas. Será implementado o calendário alternativo, com início no dia 14 de setembro e duração de 12 semanas, e, posteriormente, atividades de forma híbrida.

Nesta modalidade, serão contempladas as disciplinas que exigem atividades presenciais ou aquelas em que os estudantes sem acesso à internet não possam cursar, mas ainda depende da autorização sanitária do Governo do Estado. "A implantação do Calendário Letivo Alternativo Remoto (CLAR 2020.1) está em fase de discussão das diretrizes pelos colegiados dos cursos e para sugestões também da representação estudantil. A reunião do Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPE/UVA) que deverá aprovar o Plano de Retomada Gradual das Atividades Letivas e o CLAR 2020.1 está marcada para o dia 24 de agosto de 2020", detalha.

Esforços

Em conjunto, Uece, a Uva e a Urca enviaram ao Governo do Estado detalhamento dos itens necessários para a retomada das atividades de forma remota, "como aquisição de chips (pacote de dados), além da oferta de bolsas voltadas aos estudantes que precisem fazer a aquisição de equipamento eletrônico". No documento, foram inclusas alternativas como oferta de bolsas, aquisição de biblioteca virtual e auxílio-alimentação.

A Uece aprovou que as aulas do semestre 2019.2 fossem ministradas de forma virtual, com encerramento previsto para o dia 4 de setembro. Com isso, a possível data de início do 2020.1 é 21 de setembro, de forma remota, "caso haja garantias de acesso aos alunos pelo Governo", segundo informações do pró-reitor Fernando. Os professores foram orientados a identificar os estudantes com dificuldades de acompanhamento das disciplinas para planejamento interno.

A matrícula de novatos não foi realizada com a suspensão das atividades presenciais, como relata o aprovado em Medicina na Uece, Thiciano Sacramento Aragão, 34. "A gente fica muito triste, altos prejuízos tanto da formação quanto financeiros. Muita gente que morava no interior e veio pra cá continua pagando aluguel. Não tem nenhuma previsão de retorno, e a gente está sem saber o que fazer". Conforme o pró-reitor, a inscrição dos novatos está garantida e será feita online, também em setembro.

Suporte

O retorno sem estrutura ideal aos alunos impactaria o aproveitamento das aulas, avalia a estudante Joana Darc, 21, que cursa Pedagogia no campus da Faculdade de Educação, Ciências e Letras, no município de Iguatu. “Grande parte dos alunos moram em uma cidade e estudam em outra. Eles precisaram voltar para casa por conta da pandemia. Na cidade em que eles estão, o acesso a internet é precário”, explica Joana, sobre a parcela de alunos prejudicados durante o periodo de isolamento social.

“São várias condições. Cada unidade tem a suas especificidades, cada um tem as suas necessidades. Alguns alunos tiveram que quebrar o isolamento social para conseguir assistir a aula, logo no início da pandemia. A gente não está só com problemas relacionados ao ensino remoto, [então] temos que pensar em possibilidades de terminar o semestre 19.2 sem prejudicar ninguém. Para conseguir ter acesso a ensino de qualidade não é só ter acesso à Internet, temos também os problemas sociais que estão ao nosso redor”, aponta a estudante.

De acordo com a universitária, todos os campus discutem a retomada no calendário, mas ainda não há consenso sobre data de retorno.

Para Antony Dantas, 21, que cursa Pedagogia no campus da Faculdade de Educação, Ciências e Letras dos Inhamuns, (Cetitec), no município de Tauá, e também membro da representação estudantil da unidade, saber quais estruturas poderiam ser oferecidas é essencial para um retorno seguro. Além de destacar que uma retomada sem inclusão causa preocupação, pois poderia repetir uma experiência anterior, quando alguns cursos tentaram encerrar as atividades em plataformas virtuais na tentativa de encerrar o 2019.2.

“Alguns alunos voltaram para as cidades onde moram, com pouco acesso a Internet. Com a decisão de concluir o semestre remotamente muitos ficaram prejudicados porque não conseguiam enviar as atividades”, relembra. “Tem gente preso nessas cidades porque o serviço de ônibus está interrompido e não podem ir para uma área com melhor acesso à Internet. Então se não tiver um suporte, ficaria ruim de assistir as aulas de novo”, conclui.

Ensino remoto

No Ceará, parte das instituições de ensino superior tiveram que adaptar o retorno as atividades letivas, por causa da pandemia. A Universidade Federal do Ceará (UFC) determinou, em junho, a continuidade letiva a partir do dia 20 de julho, com a possibilidade de aulas remotas, parcialmente remota e parcialmente presenciais, o chamado ensino híbrido, ou, no caso de atividades práticas, totalmente presenciais, desde que seguidos as recomendações sanitárias. 

Já o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE), não tem previsão para retomada presencial. Na última quarta (13), o IFCE lançou o Plano de Contingência que deve ser adotado durante a pandemia. O documento foi aprovado no Comitê de Enfrentamento à Covid-19 (CEC) e no Colégio de Dirigentes (Coldir) e determina os protocolos de segurança para possíveis atividades presenciais. 

A Universidade de Fortaleza pretende continuar o próximo semestre período letivo de maneira híbrida, mas seguindo as orientações sanitárias informadas pelos órgãos competentes. A parte presencial deste ensino misto estaria condicionado a permissão das autoridades de saúde do Estado.  

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