Sarampo: Ceará não registra novos casos da doença há seis meses, diz Sesa

Últimas ocorrências datam de março e seriam casos ‘importados’ de outros estados. Apesar da baixa, Ceará não pode ser considerado livre da doença. “É preciso manter vacinação”, indica coordenadora de imunização da Sesa

Foto: Fabiane de Paula

No Ceará, o último caso confirmado de sarampo é de março de 2020, de acordo com a Secretaria de Saúde Estadual (Sesa). Entre janeiro e o começo de setembro deste ano, conforme dados cedidos pela Pasta ao Sistema Verdes Mares, foram contabilizados sete ocorrências da doença, todas "importadas de outros estados". A nova soma diverge do último boletim epidemiológico sobre a doença, publicado em junho deste ano. O documento apontava três casos da infecção no Estado, acontecidos no primeiro trimestre. 

Com a atualização enviada pela Secretaria, o casos cearenses em 2020 aconteceram em fevereiro (1) e em março (6). Os registros são dos municípios de Cariré e Farias Brito, no interior do Estado. Segundo Carmem Osterno, coordenadora de imunização da Sesa, é possível traçar os casos à infecções fora do Ceará. 

“Todos eles têm ligação ou com viagem para fora do Estado ou tiveram contato com alguém que viajou para fora. Não tivemos registro confirmados de casos autóctones, que são aqueles que surgem no nosso território, sem relação com outros infectados de fora”, completa.

Sobre a discordância entre os dados atualizados e o boletim epidemiológico de junho, Carmen aponta o retorno mais aprofundado sobre algumas ocorrências. “Os últimos resultados foram confirmados recentemente depois de avaliação da Fiocruz. Como o sarampo é muito parecido com outras doenças, só consideramos positivo quando eles isolam o vírus”, ressalta Carmen. Vinculada ao Ministério da Saúde (MS), a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) é uma instituição de pesquisa brasileira.

Dinâmica

Em relação ao mesmo período no anterior, a situação do sarampo no Estado é mais positiva. Entre janeiro e setembro de 2019, aponta a Sesa, o Ceará somou 15 casos da infecção. Diferente do percebido em 2020 a maior parte dos casos daquele ano esteve concentrado no segundo semestre: foram oito registros em agosto e três em setembro. O restante das ocorrências aconteceram em fevereiro (3) e março (1). 

Carmen explica que o aparecimento das infecções na segunda metade do ano não tem relação com a sazonalidade da doença. O percebido em 2019 seria pontual. “Não trabalhamos com sazonalidade aqui no Ceará desde que começamos a aplicar as vacinas. Os casos foram diminuindo. O que acontece é que a doença está relacionado ao inverno. Pode ter acontecido de os casos diagnosticados aqui terem viajado para regiões com período chuvoso no segundo semestre. Daí, o aumento”, elabora.

A Sesa, completa Carmen, acompanha as notificações de sarampo de perto para prevenir que a doença se expanda. “É uma doença com fácil infecção. Sempre que temos um novo caso, independente de ser notificado ou confirmado, trabalhamos com ações de bloqueio. Se uma pessoa saiu do estado, apresentou sintomas como exantemas, febre e sinais respiratórios, começamos a tratar a família e quem teve contato com esse infectado”, diz. 

A medida é chamada de ‘bloqueio’ e é uma estratégia para evitar surtos. Para isso, o caso suspeito é “isolado e é traçado o contato dele com outras pessoas”, indica a coordenadora. “A partir daí, começamos a aplicar a vacina na família e outros que estiveram próximo para evitar se amplie”, considera.  

Vacinação 

A situação do Sarampo é acompanhada pelo Ministério da Saúde. Segundo o último boletim epidemiológico publicado em setembro pelo órgão, entre janeiro e agosto de 2020, foram registrados foram notificados 15.594 casos de sarampo, com 7.856 confirmações e outros 634 em investigação. Cinco estados mantém circulação ativa do vírus: Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Amapá.

Ainda segundo o Ministério da Saúde, a maior parte desses casos está concentrada nas regiões do Pará, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e Santa Catarina: 7.637 casos foram confirmados somente nos estados, o que equivale a 97,2% de todas ocorrências brasileiras. 

O Ceará é considerado pelo Ministério da Saúde uma das regiões que interromperam cadeia de transmissão. Mas, de acordo com a coordenadora, a doença se encontra “apenas controlada”. 

“É uma situação que é medida a nível nacional antes de ser medida em nível estadual. Não podemos falar em eliminação ou em erradicação se existe circulação viral em outros estados. A gente não pode considerar o Ceará, apenas. Quando tivemos reativação do vírus, é vindo de outro estado”, conclui. 

É por isso que para manter os índices positivos sobre o sarampo, o cearense precisa continuar cumprindo com o calendário de vacinação, diz Carmen.  “Principalmente os adultos com idade entre 20 e 49 anos. Essa é a parcela sempre mais afetada”, avisa. Na avaliação da coordenadora, somente a partir da imunização se chegaria à erradicação. “Não existe outro jeito de barrar a infecção. Somente com a vacina, com a imunização. A campanha de vacina contra o sarampo segue até o dia 31 de outubro. A população precisa estar ciente da importância dessa dose para evitar ampla contaminação”, considera. 

Quero receber conteúdos exclusivos da cidade de Fortaleza

Assuntos Relacionados


Redação 29 de Outubro de 2020