Rotatórias ajudam a aumentar caos no trânsito

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Em toda a cidade, segundo a AMC, há 11 rotatórias, no entanto parte delas apresenta sérios problemas

Apesar de serem apontadas como soluções para desafogar o trânsito em Fortaleza, três das principais rotatórias têm apresentado problemas. Tanto que a própria Autarquia Municipal de Trânsito, Serviços Públicos e Cidadania (AMC) reconhece que medidas mais efetivas e alterações devem ser realizadas nos equipamentos na Avenida Aguanambi, na Praça Portugal e na Alberto Craveiro, próximo ao Estádio Castelão.

Na Aguanambi com Eduardo Girão, por exemplo, o próprio diretor de Trânsito da AMC, Carlos Henrique Pires, reconhece que a melhor solução seria a construção de um viaduto, porém não há nem planos para isso. A solução encontrada para descomplicar o trânsito nos horários de pico foi a instalação de quatro semáforos.

Mas, devido ao aumento da frota de veículos na Capital, a medida não está sendo mais suficiente. "O problema é a verba, pois a rotatória está instalada em uma rodovia federal. Então, essa mudança não depende somente da AMC, precisamos de apoio do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) e do Ministério das Cidades" frisa.

Enquanto a solução não vem, o estudante Ítalo Araújo, de 12 anos, gasta pelo menos 15 minutos, diários, para atravessar a pé a rotatória, no percurso entre a sua casa e o colégio. Segundo ele, mesmo com a sinalização no local, o semáforo de pedestres demora muito para ficar verde e muitas vezes arrisca a própria vida. "Eu fico com muito medo, pois já vi vários acidentes aqui, mas tenho que atravessar com o sinal de pedestres vermelho para não chegar atrasado na minha aula", ressalta.

A situação na rotatória da Praça Portugal não é diferente, a reportagem flagrou dezenas de pessoas em situações de risco ao atravessar a Avenida Dom Luis, e a imprudência de motoristas em alta velocidade. "Eles (motoristas) não respeitam ninguém. Um dia, para que eu pudesse atravessar, tive que ir para o meio da rua e tentar parar os carros arriscando minha vida", desabafa o aposentado João Holanda, de 74 anos.

Segundo ele, a culpa não é só dos motoristas, mas também das autoridades de trânsito, que não fazem nada para melhorar a situação no local. Ele diz que deveriam existir faixas de pedestre ou pelo menos tartarugas no chão para reduzir a velocidade dos veículos e evitar os acidentes de trânsito.

Outra situação semelhante acontece na rotatória da Avenida Paulino Rocha com Alberto Craveiro. Sem nenhuma sinalização, moradores se arriscam ao atravessar, e os acidentes são constantes. Segundo declarações de pessoas que passam diariamente no local, a esperança de é que seja realizada uma reforma no equipamento para a Copa do Mundo de 2014.

Enquete
Pedestres sofrem

"Já cheguei a presenciar quatro acidentes em um só dia aqui na rotatória da Praça Portugal. É um absurdo"
Ossidélio Alves
48 ANOS
Taxista

"Fiquei esperando quase 30 minutos para atravessar aqui. Se pudesse construiria um túnel para acabar o sofrimento"
Francisco Ueldo
39 ANOS
Vendedor

"A rotatória do Castelão é muito perigosa. Quando vou levar minha filha à escola temos de passar correndo"
Sheila da Silva
38 ANOS
Manicure

MUITAS PROPOSTAS
Nenhuma solução concretizada

Os problemas na rotatória da Praça Portugal ficam mais evidentes nos horários de pico. Com aproximadamente 1.500 veículos circulando por hora na área no início da manhã, meio dia e fim da tarde, o trânsito fica lento, provocando engarrafamentos nos quatro acesso da praça. "É um absurdo o que vivemos neste local, que é uma área nobre da cidade", reclamou o taxista Márcio Felipe Costa Benevides, 55 anos, dos quais 30 trabalhando como motorista.

Uma das soluções já discutidas para a Praça Portugal é a instalação de semáforos, que, segundo Carlos Henrique Pires, diretor de Trânsito da AMC, eles são permitidos pela lei de trânsito. Alguns, recomendados.

Mas, segundo Pires, a situação da Praça Portugal é diferente. Uma simulação realizada em 2003 mostrou que a implantação de semáforos na rotatória não traria benefícios. "Lá, os registros de acidentes são menores e a configuração é diferente da rotatória da Aguanambi".

Diante do estudo, revela, outras soluções foram pensadas, mas nenhuma concretizada. Pires diz que o último recurso da AMC para melhorar o trânsito no local seria transformar as avenidas Santos Dumont e Dom Luiz em sentido único. "Não temos prazo ainda, mas essa é a única solução que pensamos, vamos analisar as possibilidades", frisa.

Sobre os problemas da rotatória na Avenida Alberto Craveiro, ressalta que a AMC está aguardando os projetos que estão sendo elaborados pela Prefeitura e Governo do Estado para a Copa de 2014. Ele ainda destaca que, lá, é um local que tem pouco movimento de pedestre e que não há registro de muitos acidentes.

Pires alerta que somente as mudanças na engenharia de trânsito não vão reduzir os acidentes. Ressalta que é preciso que motoristas entendam um pouco da legislação e respeitem os pedestres. Ele destaca que a preferência em uma rotatória é para o veículo que está dentro dela, a não ser que a sinalização indique o contrário.

OPINIÃO DO ESPECIALISTA
Vias da Capital não foram modernizadas

José Wagner P. Queiroz
Pres. Assoc. Psicólogos de Trânsito

Em Fortaleza, há um crescente número de condutores e veículos. São 640 mil carros circulando, ou seja, um carro para quatro pessoas na Capital. O problema é que as vias continuam as mesmas de dez anos atrás, e isso provoca um inchaço urbano. A consequência é uma população estressada e agressiva no trânsito.

Por conta de compromissos profissionais, homens e mulheres estão sempre ansiosos e querem chegar logo ao seu destino. No entanto, diante dos congestionamentos eles passam horas presos em grandes filas de carros. Nessa situação é normal que as pessoas se tornem agressivas, pois elas convivem diariamente com uma situação de frustração.

Outra consequência dessa agressividade são as brigas de trânsito e o desrespeito às leis, que acabam gerando os acidentes e atropelamentos fatais. A solução seria o poder público estudar possibilidades de reverter os problemas do trânsito, além de ampliar e construir novas vias. Mas, enquanto isso não se concretiza, era importante a realização de campanhas de conscientização.

KARLA CAMILA
REPÓRTER
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