Reitor da UFC diz que corte de verba vai impactar atividades de extensão e hospitais universitários

O bloqueio de 30% no orçamento da UFC representa uma perda de mais de R$ 45 milhões aos cofres da instituição

Legenda: Universidade Federal do Ceará

O funcionamento dos hospitais universitários de Fortaleza Walter Cantídio e Maternidade Escola Assis Chateaubriand está ameaçado com a decisão do Ministério da Educação (MEC) de bloquear 30% do orçamento destinado às instituições federais do País, confirma o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), Henry Campos. Além disso, ele diz que a medida trará efeitos graves para atividades de ensino, pesquisa e extensão

A UFC ainda não foi comunicada oficialmente sobre o corte. No entanto, o bloqueio já consta no Sistema Integrado de Monitoramento Execução e Controle (Simec). Em nota publicada nesta terça-feira (7) na página oficial da instituição, o reitor salienta que desconhece quem assumirá o ônus pelos compromissos que a universidade deixará de cumprir. 

“Pelos sacrifícios que sofrerão nossos bolsistas, pesquisadores e os agentes que levam a Universidade para o interior das comunidades pobres. De fato, é a população inteira que será apenada, e isso nos leva a conclamar a sociedade, através de suas representações mais legítimas, para se mobilizar contra o golpe que ameaça inviabilizar a universidade pública, gratuita e de qualidade”, declara Campos. 

O corte, segundo o reitor, representa uma perda de mais de R$ 45 milhões aos cofres da instituição. Valor equivalente ao que é destinado ao custeio, com despesas de água, luz, restaurante universitário, manutenção, limpeza e segurança. Além de investimento em equipamentos e obras nos oito campi da universidade. 

Apesar de os hospitais não serem beneficiados diretamente com a verba do Governo Federal, com a escassez de recursos na UFC, atividades de extensão de ensino e pesquisa, que impactam na qualidade do serviço das unidades de saúde ligadas à universidade, vão ser afetadas, lamenta Henry Campos. 

“Eu não quero nem imaginar, porque isso não seria uma coisa drasticamente imediata, mas seria progressivamente e isso teria um peso nas atividades do hospital e da maternidade, influenciando até numa redução da qualidade do serviço prestado.” 

De acordo com ele, o orçamento previsto para este ano na UFC era de R$ 158 milhões

“Foi com base nesse orçamento que assumimos compromissos externos, enquanto, internamente, projetamos os próximos passos de nossa expansão, dos investimentos na qualidade do ensino e no avanço das pesquisas e da inovação. Hoje, carentes de qualquer explicação por parte do MEC, ignoramos o que parametrizou a drástica medida (se é que se utilizaram parâmetros, além do viés ideológico que ela claramente carrega)”, lamenta. 

O reitor também reforça os resultados da universidade nos últimos tempos, destacando o status da UFC como equipamento social.  

“Provamos uma política de inovação e propriedade intelectual, que veio reforçar nossa posição como geradores de produtos de conteúdo tecnológico. Em 2018, através do Programa de Internacionalização (PRINT), a CAPES chancelou a UFC como universidade de excelência em nível mundial. Profundamente vinculada à sociedade, nossa instituição tem um rico histórico de prestação de serviços, que começa no trabalho do complexo hospitalar e se espraia por todos os municípios do Ceará, graças à atuação de seus oito campi e de um gigantesco programa de extensão”. 

A UFC conta, atualmente, com 43 mil alunos, 118 cursos de graduação e 116 de pós-graduação. 

“Essa instituição não pode ser apenada no âmbito de um reordenamento orçamentário que surpreende, acima de tudo, por se voltar contra o ensino de qualidade, o progresso científico e tecnológico, a inteligência”, finaliza o reitor. 

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Redação 04 de Dezembro de 2020