Queimadas atingem área verde no Parque Dois Irmãos há 15 dias e moradores reclamam de fumaça

Segundo residentes dos prédios da região, as chamas acontecem desde o início do mês e começam sempre às 8h

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Legenda: Por causa do longo período convivendo com a fumaça, os habitantes acabam tendo que se adaptar para driblar os impactos

Há cerca de 15 dias, queimadas no Parque Montenegro, área localizada no bairro Parque Dois Irmãos, espalham nuvens de fumaça que invadem os apartamentos de moradores da região. A maioria dos habitantes vive em prédios residenciais e acaba inalando, diariamente, os gases produzidos pelas chamas.

Segundo Caroline Feitosa, residente de um dos prédios do local, as queimadas começam todos os dias, às 8h. Ela, que está grávida, conta que chegou a fazer uma denúncia à Central 156, da Prefeitura de Fortaleza, mas não obteve solução. Até o momento, os moradores não sabem ao certo o que pode ser a causa do incêndio, mas especulam que seja invasão ou desmatamento.

Em nota, a Agência de Fiscalização de Fortaleza (Agefis) argumenta que passou a fiscalizar o espaço desde o início do mês. “A Agefis recebeu denúncias de incêndios na referida área e esteve no local no dia 4 de setembro, quando fiscalizou uma obra nas proximidades e áreas do entorno. No momento da fiscalização, não foi possível flagrar incêndios ou seus causadores. Entretanto, denúncias recentes apontaram para a ocorrência de novos incêndios dentro de um terreno particular. Nova operação já foi programada para o endereço informado. Caso os fiscais constatem incêndios ou indícios de incêndios dentro do imóvel denunciado, o proprietário do terreno poderá ser responsabilizado”.

O Corpo de Bombeiros informou que foi avisado sobre a ocorrência e que várias guarnições de profissionais estão atuando desde segunda-feira (14). “Tem três viaturas de combate a incêndio no local. Eles estão atuando nessa ocorrência. Não tem nada de indicativo de causa, ninguém sabe se é devido ao clima, um pouco seco e ventos fortes”.  

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Legenda: Até o momento, os moradores não sabem ao certo o que pode ser a causa do incêndio

Caroline afirma que, além da fuligem que invade as casas, os principais danos aos moradores são os respiratórios. “Tem gente que está sofrendo de asma e eu estou grávida. Várias mulheres no meu prédio estão grávidas. Há vários relatos no grupo do condomínio de crianças que já estão com problemas respiratórios”, declara. 

Por causa do longo período convivendo com a fumaça, os habitantes acabam tendo que se adaptar para driblar os impactos. “Hoje, por exemplo, a minha roupa está secando dentro do meu apartamento.  O ar condicionado tem que estar desligado porque a fumaça entra. Você tem que ficar lacrado dentro de casa”, explica Caroline.   

No Ceará, até agosto deste ano, foram registradas 4.258 ocorrências de incêndios, um aumento de 3,1% em relação ao mesmo período de 2019.  

Incêndios no Centro 

No Centro da Capital cearense, o último foco de incêndio registrado foi no Casarão dos Fabricantes, na noite do dia 5 de setembro. O prédio fica localizado entre a Catedral Metropolitana e o Mercado Central e abrigava diversos quiosques de venda de vestuário. 

Apesar disso, em agosto de 2020, 55 incêndios foram notificados no bairro, enquanto até agosto de 2019, 78 ocorrências foram informadas. Os dados implicam em uma redução de 29,5% no número de casos.  

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