Queda de acidentes gera economia de R$ 84 milhões em Fortaleza

Obras de mobilidade e segurança viária, aliadas a mudanças de comportamento da população, impactaram positivamente na queda do número de acidentes e na necessidade de cirurgias e internações

Foto: Thiago Gadelha

R$ 506 milhões de reais. O montante diz respeito à estimativa dos valores gastos pela sociedade com a conta dos acidentes de trânsito em Fortaleza, em 2018. No ano anterior, o valor girou em torno de R$ 590 milhões, com base em cálculo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). A redução, de R$ 84 milhões, está atrelada à diminuição do número de acidentes com vítimas, feridas ou mortas, na Capital, como aponta a nova edição do Relatório Anual de Segurança Viária de Fortaleza, lançado nesta quarta-feira (18).

Segundo a Prefeitura, os custos diretos e indiretos relacionados aos sinistros nas vias representam 0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) da Capital. Para o sistema de
saúde pública, foi calculada uma economia de 15% considerando somente os acidentes com vítimas - e eles foram os menores da série história.

Comparando esse tipo de sinistro, houve 22% de diminuição entre os dois últimos anos. Em 2018, ocorreram 11.150 acidentes com algum prejuízo humano: foram 226
mortos e 12.093 feridos. Os dados são significativamente menores que os registrados no ano anterior, quando 13.158 acidentes levaram 256 pessoas à morte e deixaram outras 15.522 feridas.

Assim, as mortes provocadas por acidentes de trânsito, que figuravam como a 5ª principal causa de óbitos na Capital, em 2016, caíram para a 11ª posição, no ano passado. Antes, elas superavam doenças graves como diabetes, alzheimer e insuficiência cardíaca. De acordo com Joana Maciel, secretária municipal de Saúde, os maiores custos na
área envolvem pilotos e passageiros de motocicletas, que comumente são vítimas de politraumas e dependem de leitos cirúrgicos e internações em Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs). No entanto, ela não conseguiu mensurar o custo individual desse perfil de acidentado “porque depende da gravidade da lesão”.

Saúde

Maciel considera a redução dos números como resultado de curto prazo. Para ela, o setor da saúde deve receber frutos em médio período pela prevenção de doenças
pulmonares, através de modais não poluentes, e do combate ao sedentarismo, fator de risco para doenças cardiovasculares. “A mesma coisa com relação à saúde mental.
Quando o cidadão faz o trajeto pra casa de forma mais rápida, mais tempo ele tem com a sua família e isso impacta na sua qualidade de vida”, destaca.O prefeito Roberto Cláudio atribui as melhorias a um “esforço intersetorial” e a inovações técnicas que conseguiram impactar no comportamento das pessoas. “Mais importante que as obras de mobilidade é a atitude do cidadão, com maior uso das bicicletas e das integrações”, reforça.

Conforme o gestor, ainda há “muito a ser feito” na área de acessibilidade, calçadas, infraestrutura cicloviária e na adaptação do transporte público “a um perfil de demanda que é dinâmico”.

Comportamento

Apesar dos bons resultados alcançados, a questão comportamental no trânsito permanece como ponto de atenção, na análise do secretário-executivo da Secretaria de  Conservação e Serviços Públicos (SCSP), Luiz Alberto Sabóia.

“Em quase todos os acidentes, há um componente comportamental: alguém que está excedendo a velocidade, que bebeu e dirigiu, que não está utilizando o cinto de segurança ou que está atravessando a via de forma indevida”, enumera.

Segundo o secretário-executivo, o principal desafio - inclusive de gestões futuras - é dar escala a projetos de segurança viária que, a seu ver, deram certo na cidade,
como travessias elevadas, áreas de trânsito calmo, faixas exclusivas de ônibus e ciclofaixas. Outro é a implementação do Plano de Caminhabilidade, “que está
sendo desenvolvido agora” e prevê a expansão de calçadas e a melhoria da infraestrutura viária.

Dois bairros considerados críticos para acidentes já estão na mira da Autarquia Municipal de Trânsito e Cidadania (AMC): o Centro e o Montese. No “mapa de calor” dos
sinistros na Capital, as duas localidades aparecem em vermelho, considerado o pior. “No Centro, a maior parte das vítimas são os pedestres justamente porque têm mais gente andando nas calçadas, e há muito conflito com os veículos”, explica o superintendente do órgão, Arcelino Lima.

Recuperação

Com o diagnóstico, segundo ele, a AMC realizou a recuperação de toda a sinalização horizontal do bairro, também pintando faixa de pedestres, no mês de julho.

Também há expectativa de que o novo trinário da Avenida Duque de Caxias diminua o indicador, visto que “boa parte desses acidentes” ocorria por lá. “Como ela foi transformada em um único sentido, facilita a vida do pedestre”, garante o superintendente.

Já o Montese, afirma, está passando por uma recuperação da sinalização e intensificação da fiscalização sobre os passeios. Vias como a Gomes de Matos e a Alberto Magno receberão melhorias na faixa de pedestres. “Temos uma rotina semanal para identificar os pontos com maior número de acidentes. Nosso intuito é, até o final do ano, ter ações em todos os pontos mais perigosos da cidade e uma redução do número de mortos”, projeta Arcelino Lima.



Redação 02 de Julho de 2020